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EDITORIAL – A ESPERA DO LEOPARDO

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Ontem foi o 10 de Junho, dia de Camões e de Portugal.  Ao nível oficial tivemos condecorações e discursos. Entre as primeiras, Eduardo Lourenço, Rodrigo Leão , Luís de Matos  e Maria Cristina de Matos (cantora lírica e professora do Conservatório Nacional, falecida em 2010), entre um conjunto variado,   com muitos empresários e figuras distintas, como António Vitorino, António Borges, Zeinal Bava e outros. Nos segundos, será de distinguir o discurso de Silva Peneda, antigo ministro de Cavaco, actual presidente do Conselho Económico e Social, e também presidente da comissão organizadora do dia 10 de Junho de 2014. Entre citações de Eduardo Lourenço, Miguel Torga, Alexandre Herculano, John Lennon e não só, falou na crise causada pelo sistema financeiro, diz que o caminho é o crescimento e o emprego, e que não se pode regressar ao passado, ao crédito fácil, etc. Falou também na União Europeia, que tem de articular o económico e o orçamental, e na especulação financeira que tem ser combatida. Propomos que vejam o primeiro link abaixo.

Os próximos tempos vão ser marcados pelos debates (há quem lhes dê outro (s) nome(s)…) à esquerda, enquanto a direita, na defensiva, procura ganhar posições, com o óbvio apoio das autoridades europeias (chamamos-lhes assim, pois elas mandam bastante) e não só. Paulo Portas parece muito sossegado, e o CDS estará a perder peso no conjunto, mas pode haver algum ressalto. Os disparates de Seguro e a precipitação de Costa (talvez farto de pressões) enfraqueceram o PS, fortalecendo a posição de Passos, que, embora perdendo, parece ter saído vencedor das eleições europeias. Não fosse a abstenção tão grande…

A emergência na cena nacional de uma direita antieuropeísta organizada parece não se pôr para já. Alguns talvez coloquem as suas esperanças numa personalidade como Marinho Pinto, recém-eleito deputado europeu, por sinal, mas será cedo para confirmar tal hipótese. Um partido neonazi como o grego Aurora Dourada encontraria apoio nalguns meios, mas não se perfila uma liderança credível que, a curto prazo, pudesse avançar com um projecto desse género (vejam a opinião de Michael Löwy, em relação à Europa, no segundo e no terceiro link abaixo). Por outro lado, os partidos de direita em vigor na primeira linha política portuguesa já têm mostrado ser capazes de prosseguir os objectivos mais extremistas, se achassem que daí poderiam tirar vantagens. Entretanto Passos/Portas, com a crise no PS, a esquerda chamada radical no gueto, começam a sentir-se com forças para enfrentar quem, nos seus próprios partidos, clama por mudança. Para que tudo continue na mesma.

 

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=744077&tm=8&layout=122&visual=61

http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article32128

http://www.esquerda.net/artigo/dez-teses-sobre-extrema-direita-na-europa/32988

 

 

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