Em memória de Vasco Graça Moura – 20 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:
Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à página
Mais e Menos
Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 36-37; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 70)
Música: José Marques do Amaral
Intérprete: Clara* (in CD “Encontros”, Thape, 2010)
[instrumental]
No amor, regras que contem,
há uma só que não é vã:
amar hoje mais do que ontem
mas bem menos que amanhã
e eu num fado que isto guarde
também acrescentaria
amo-te mais cada tarde
do que amei nascendo o dia
e cada vez muito mais
do que antes, mas tais requintes
são muito menos, ver vais,
do que nos dias seguintes
com resultados tão plenos
como somar dois e dois:
muito mais e muito menos
conforme “antes” e “depois”
no amor, regras que contem,
há uma só que não é vã:
amar hoje mais do que ontem
mas bem menos que amanhã
Não Me Peças Perdão
Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 52-53; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – pág. 77); Música: Alfredo Duarte “Marceneiro” (Fado CUF); Intérprete: Clara* (in CD “Encontros”, Thape, 2010)
[instrumental]
Não me peças perdão, a culpa é minha:
foi este tempo todo descuidado,
foi não achar que o fim um dia vinha
foi ficar sem defesas a teu lado
foi nunca te lembrar em sobressalto
foi não deixar falar a tua boca
foi não pensar em ventos no mar alto
foi tanta coisa, tanta, hoje tão pouca
foi deixar-me viver em falsa paz
foi afagar-te as mãos sem as prender
ou foi prendê-las mal e tanto faz
julgar que se morria de prazer
agora é tarde, sim, tarde demais,
tropeço às cegas nesta dura lei,
não sei se vale a pena dar sinais
e o que te hei-de dizer também não sei.
[instrumental]
* Clara – voz: ; Luís Ribeiro – guitarra portuguesa; Florêncio de Carvalho – viola: Joel Pina – baixo acústico