Em memória de Vasco Graça Moura (1942-2014) – 9 – por Álvaro José Ferreira

Nota prévia:

Para ouvir os poemas (cantados) de Vasco Graça Moura, há que aceder à páginaImagem2

http://nossaradio.blogspot.com/2014/05/em-memoria-de-vasco-graca-moura.html

e clicar nos respectivos “play áudio/vídeo”.

Soluço

Poema: Vasco Graça Moura
Música: Pedro Moreira
Intérprete: Cristina Branco* (in CD “Não Há Só Tangos em Paris”, Emarcy/Universal Music Classics & Jazz France, 2011)

Aqui me tens agora toda nua
deitada junto a ti como se fosse
branco areal onde se espraia a lua
e o marulhar das vagas é mais doce.

Sou estrela-do-mar e sou molusco
sou mucosa e cetim de lés-a-lés,
sou de dor e prazer e sou um brusco
redemoinho de algas e marés.

Sou a ninfa que vai desgovernada
feita espuma a entrar no temporal,
sou vulcão, carne viva, uivo e golfada
de amor e de agonia em espiral.

Sou garras, dentes, língua, turbilhão
da lava de carícias nas veredas
de me enroscar em ti e ao fim, então,
sou um longo soluço em labaredas.

* Cristina Branco – voz;  João Paulo Esteves da Silva – piano;  Produção – Pedro Moreira;  Coordenação – Paulo Ochôa e Olga Carneiro / ONC Produções Culturais;  Produção executiva – Yann Ollivier / Universal Music Classics & Jazz France;  Gravado por Nelson Carvalho e Tiago de Sousa, em Setembro de 2010;  Misturado por Nelson Carvalho, nos Estúdios Valentim de Carvalho, Paço d’Arcos;  Masterizado por Andy Vandette, no Masterdisk, Nova Iorque

Presságios de Alfama

Poema: Vasco Graça Moura (in “Mais Fados & Companhia”, Lisboa: Público, 2004 – págs. 80-81; “Poesia 2001/2005”, Lisboa: Quetzal Editores, 2006 – págs. 97-98)
Música: Carlos Paredes (“António Marinheiro”, in LP “Movimento Perpétuo”, Columbia/VC, 1971, reed. EMI-VC, 1988)
Intérprete: Mísia* (in CD “Canto”, Warner Jazz France, 2003)

Névoa e partida
vaivém das vagas
luzes no mar

vela perdida
vozes pressagas
a vêm tocar

vozes pressagas
quanto agoirar

luz esquecida
como te apagas
a tremular

ó louca vida,
como naufragas
a navegar

vozes pressagas
quanto agoirar

morre a gaivota
doente
e à tua rota
vai rente
num triste trino
a chama
o teu destino,
Alfama

morte que sem olhos fita
pelo mar vem a desdita

pó de saudade,
cinzas sem lume
escuridão

e tempestade
noite e negrume
no coração

noite e negrume
no coração

às cegas vou
e não sei
quem violou
esta lei
quem poluiu
o meu linho
quem me impediu
o caminho

meu destino já marcado
erros meus que são meu fado

[instrumental]

meu destino já marcado
erros meus que são meu fado

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