Camões recitado e cantado (II) – 2 – por Álvaro José Ferreira
carlosloures
Retrato de Luís de Camões por Fernão Gomes, em cópia de Luís de Resende. Este é considerado o mais autêntico do retrato do poeta, cujo original, que se perdeu, foi pintado ainda em sua vida.
Nota prévia:
Para ouvir os poemas (os recitados e os cantados), há que aceder à página
Poema (vilancete em redondilha maior): Luís de Camões (in “Rimas”, edição de 1668)
Recitado por Ary dos Santos* (in LP “Líricas de Camões ditas por Eunice Muñoz e J.C. Ary dos Santos”, Guilda da Música/Sassetti, 1971, reed. CNM, 2010; “Luís Vaz de Camões por Ary dos Santos e Eunice Muñoz”, CNM, 2011)
MOTE
Descalça vai para a fonte Lianor pela verdura; vai fermosa e não segura.
VOLTAS
Leva na cabeça o pote, o testo nas mãos de prata, cinta de fina escarlata, sainho de chamalote; traz a vasquinha de cote, mais branca que a neve pura; vai fermosa e não segura.
Descobre a touca a garganta, cabelos d’oiro entrançado, fita de cor d’encarnado… tão linda que o mundo espanta! Chove nela graça tanta, que dá graça à fermosura; vai fermosa, e não segura.
Notas:
Escarlata – tecido de lã de cor vermelha muito viva
Sainho – casaco curto que se vestia por cima da blusa
Chamalote – tecido de pêlo ou lã geralmente com seda, talvez assemelhando-se ao actual cetim
Vasquinha – saia com muitas pregas em volta da cintura
De cote – de uso quotidiano
* Direcção literária – Alberto Ferreira; Gravado no estúdio da Nacional Filmes, Lisboa, por Heliodoro Pires; Montagem – Moreno Pinto