Éric Toussaint, politólogo belga, presidente do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, propõe uma saída para a crise com que o mundo se debate. Numa entrevista à Publico TV, referida no Publico.es, de 1 de Julho corrente, afirmou que se trata de uma crise da dívida privada e do capitalismo financeiro, provocada basicamente pelos bancos, o que não é uma novidade, mas é uma realidade pouco transmitida pela grande comunicação social, que andou muito tempo preocupada em transmitir-nos a ideia de que todos temos responsabilidades na matéria. E subliminarmente, procurava transmitir-nos também que todos éramos responsáveis por igual, trabalhadores, pensionistas, reformados, desempregados, etc. Foi assim que, apesar de alguma contestação, normalmente proveniente daqueles sectores sobre os quais se afirma estarem fora do arco da governação, conseguiu-se dar uma cobertura ideológica às políticas chamadas de austeridade.
Apesar de todo os esforços para desviar as atenções, o caso do BPN e de outros bancos deixou dúvidas em muitas pessoas sobre a verdadeira causa do problema, e também sobre as possibilidades de a crise se agravar novamente. Os problemas com o BES vieram agravar essas dúvidas. Entretanto continua a dívida pública a pesar na vida de todos nós (na realidade, de 99 % de todos nós), até porque foi onerada com uma grande quantidade de dívida privada.
Éric Toussaint assinala que na Europa não existe vontade política, nem mesmo sensibilidade para resolver este assunto. Diz mesmo: Se os governos dos países da União Europeia acreditassem verdadeiramente que estão a serviço da maioria dos cidadãos, já teriam nacionalizado os bancos e também rejeitado pagar parte da dívida pública por ser ilegítima e ilegal. Leiam em:
Entretanto a União Europeia caminha, ao que parece, para a integração bancária. Pretende começar, também ao que parece, pela supervisão bancária. Talvez isso ajude a explicar a posição tomada pelo primeiro-ministro e pelo Banco de Portugal recentemente, em relação ao Banco Espírito Santo. Mas entretanto vem aí o TAFTA, o Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos. Éric Toussaint aponta-nos o caminho. É perfeitamente claro. Sublinha também a razão porque não o seguem? Porque os governos não estão ao serviço da maioria dos cidadãos. Já sabíamos isto, muito de nós. Mas Toussaint faz muito bem em insistir.