Quem são os países da Comunidade de Língua Portuguesa? São Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Todos têm alguém, na área governamental, responsável pela igualdade de género – a nível de ministro, ou secretário de estado. Acontece que em todos, neste ano de 2014, este assunto está nas mãos de mulheres.
No entanto, no documento que encontrei na internet está assim escrito “III REUNIÃO DE MINISTROS/AS RESPONSÁVEIS PELA IGUALDADE DE GÉNERO DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA” com o objetivo de discutir “Os Desafios na Prevenção e Eliminação da Violência Baseada no Género”. Ministros/as? Quais eram os ministros? A dita Reunião ocorreu em Maputo, no dia14 de Fevereiro de 2014. E dela saiu uma “Declaração”. De Maputo, claro.
Apontando os avanços verificados, “ Registaram com apreço a forte determinação dos Países da CPLP em desenvolver os esforços necessários para a concretização dos ODM, nos Estados membros da CPLP, e contribuir para a consolidação ao nível global dos progressos em torno desses Objetivos;
[…] Saudaram ainda o Secretariado Executivo da CPLP pela realização da campanha sobre a eliminação da violência contra as mulheres, que foi lançada em simultâneo no dia 25 de Novembro de 2013. Comprometeram-se a “dar o seu rosto” para a Campanha da CPLP sobre a eliminação da violência contra as mulheres na sua edição de 2014.
[…] Consideraram a necessidade de acelerar, até finais de 2015, medidas tendentes a prosseguir os ODM; sublinharam, finalmente, a necessidade da Igualdade de Género, os Direitos das Mulheres e o seu empoderamento, estarem no centro da Agenda do Desenvolvimento pós-2015, através de um objetivo autónomo mas também, através da transversalização da abordagem de género nos restantes objetivos desta Agenda.
[…] Concordaram em promover e/ou reforçar a cooperação técnica e jurídica entre os Estados membros da CPLP com vista ao aperfeiçoamento dos seus quadros legais em matéria de combate a todas as formas de violência contra as mulheres e o fortalecimento dos programas nacionais de combate a todas as formas de violência contra mulheres e raparigas, em especial contra a excisão feminina e o tráfico de pessoas.
[…] Comprometeram-se a identificar fontes de financiamento e envidar esforços para a mobilização, captação e orçamentação de recursos, pelos Estados membros da CPLP, para promover ações sustentadas e contínuas em matéria de eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres, com o objetivo de ter um orçamento bienal a ser apresentado e a transferir, num mecanismo subsidiário, para o Fundo Especial da CPLP.
[…] Felicitaram Graça Machel (Moçambique) e Emília Pires (Timor-Leste) pela sua integração no grupo das Nações Unidas encarregue de preparar a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015. Aplaudiram a seleção de Georgina Benrós de Mello como Diretora Geral da CPLP, primeira mulher a ascender a este cargo.
As más línguas dizem que discutiram as toilettes, trocaram receitas, estilos de corte de cabelo e mostraram fotos de filhos e netos. Sim, isto também faz parte da vida das mulheres ( e dos homens, mesmo que não confessem…). Talvez também tenham falado do tempo da escravatura – de ambos os sexos – do colonialismo. Talvez também tenham falado da Copa de futebol…
