NESTE DIA… Em 26 de Setembro de 1795, nasceu o Marquês de Sá da Bandeira
carlosloures
Em 26 de Setembro de 1795, nasceu em Santarém, Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo, que viria a ser o Marquês de Sá da Bandeira, um dos políticos mais importantes do regime constitucional resultante da Guerra Civil (morreu em Lisboa em 1876). Combatente liberal, esteve sitiado durante o Cerco do Porto. Perdeu o braço direito num combate no Alto da Bandeira, em Vila Nova de Gaia. Após a Revolução de Setembro de 1836, tomado o poder pelos setembristas, Sá da Bandeira foi nomeado ministro do Interior. Quando da Belenzada, tentativa contra-revolucionária de levar ao poder a facção cartista, sendo o golpe esmagado, foi a rainha D. Maria II, sua inspiradora, obrigada a nomear Sá da Bandeira como presidente do Conselho. Juntamente com Passos Manuel iniciou um programa de reformas tendo em vista o progresso do País — declarou abolida a escravatura nas colónias portuguesas (na metrópole havia já sido abolida antes). No ano seguinte, desencadeou-se a Revolta dos Marechais Saldanha e Terceira contra o seu governo, mas Sá da Bandeira conseguiu fazer.lhe face. Em 1842, como golpe de Costa Cabral, acabou o chamado período setembrista.
A revolta popular da Maria da Fonte (em 1846), que Sá da Bandeira apoiou derrubou o governo de Costa Cabral. No executivo que D. Maria II nomeou, presidido pelo Duque de Palmela, Sá da Bandeira foi ministro da Guerra. Novo golpe, chefiado por Saldanha, levou-o a pedir a demissão, decisão que foi umas das causas de uma nova guerra civil, a Patuleia, que terminou em 1847 com a vitória dos cartistas, apoiados pela rainha e por forças espanholas e britânicas. Portugal seria então governado pelos conservadores durante mais de dez anos, até à subida ao trono de D. Pedro V, de ideias progressistas. Tinha-se iniciado o sistema rotativista que iria vigorar na Monarquia Constitucional até ao seu fim – uma sucessão estável dos dois maiores partidos no poder. O Partido Regenerador, dos antigos cartistas, de cariz conservador; do outro, O Partido Histórico setembrista, de feição liberal.
O rotativismo caracterizou-se por frequentes dissoluções das Cortes, pela elevada abstenção (o direito de voto era um privilégio de uma escassa minoria) e pela manipulação eleitoral, em que alternavam no poder os dois grandes partidos, Sá da Bandeira ascendeu à chefia do governo em 1865, mas apenas durante cinco meses. Em sua substituição, foi formada uma grande coligação constituída por Regeneradores e Históricos. Sá da Bandeira, que desde há muito se manifestava contra esta hipótese, afastou-se do partido, e formou com os seus correligionários um novo partido, o Reformista do qual, Sá da Bandeira voltaria a ser presidente do Conselho por um curto espaço de tempo, entre 1868 e 1869. Em 1870, na sequência do golpe da Ajudada, que levou Saldanha ao poder, Sá da Bandeira organizou a resistência ao governo de ditadura, e três meses mais tarde este caiu. Sá da Bandeira foi, pela última vez, convidado a formar governo. Organizou eleições e ofereceu o poder ao independente António José de Àvila, mais próximo dos Históricos). O Partido Reformista, criado por Sá da bandeira, sobreviveu pouco tempo à sua morte e em 1876 fundir-se-ia com o Partido Histórico, dando lugar ao Partido Progressista.