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O SISTEMA FISCAL PORTUGUÊS É ANTIDEMOCRÁTICO, PORQUE PAGA MAIS IMPOSTOS QUEM MENOS TEM – por EUGÉNIO ROSA

Parte II

(conclusão)

O ENGANO DO COEFICIENTE FAMILIAR

Um aspeto eventualmente positivo da proposta a nível do IRS, que vai ser muito utilizado pelo governo na sua operação de manipulação e  de engano da opinião pública, para além da eventual redução da sobretaxa de IRS através do aumento do imposto sobre os combustíveis (fiscalidade verde)  é a substituição do coeficiente conjugal que vigora atualmente (divisão da matéria coletável do agregado por 2 para saber qual é taxa de IRS que se aplica) pelo coeficiente familiar (divisão da matéria coletável não apenas por 2, mas sim por este número a que se adiciona o valor de 0,3 por cada dependente ou pais, este últimos se tiver rendimentos até 259€), o que reduz, em certos casos, a taxa de IRS que se aplica ao rendimento coletável do agregado familiar desde que tenha muitos filhos. Mas mesmo este aspeto positivo da proposta é anulado por uma outra proposta da comissão de IRS que é a seguinte: a introdução do coeficiente familiar não poderá determinar uma redução de receita para o Estado. E para conseguir isso quer obrigar os casais que não têm filhos (reformados, aposentados, e todos os outros sem filhos) a pagar mais IRS, através da redução das deduções como referimos anteriormente,  para compensar a redução de IRS aos com filhos. Para isso impõe um limite na redução que poderá resultar da aplicação do coeficiente familiar a qual, em nenhuma situação, poderá ser superior a 750€ por sujeito passivo.

 

ALGUNS DOS PRINCÍPIOS QUE DEVIAM ORIENTAR UMA REFORMA DEMOCRÁTICA DO SISTEMA FISCAL PORTUGUÊS

 

Face à injustiça fiscal atual que atinge fundamentalmente trabalhadores e pensionistas, é necessária uma profunda reforma democrática de todo o sistema fiscal pondo-o de acordo com os princípios constitucionais. Para isso, é necessário reduzir a enorme carga fiscal que incide sobre os rendimentos do trabalho e sobre as pensões, e aumentar a carga fiscal que incide sobre os rendimentos do capital e da propriedade. E essa reforma democrática do sistema fiscal devia assentar nos seguintes princípios:

Para compensar uma eventual redução de receita resultante da diminuição da carga fiscal sobre trabalhadores e pensionistas deviam ser tomadas as seguintes medidas:

As receitas assim obtidas através destes impostos sobre os rendimentos do capital e da propriedade e sobre as grandes fortunas que agora escapam ao pagamento de impostos certamente dariam um volume de receita importante que permitiria desagravar significativamente os rendimento do trabalho e as pensões e financiar as funções sociais do Estado e o investimento público, realizando também desta forma uma profunda reforma democrática do sistema fiscal baseada em impostos únicos e progressivos sobre os rendimentos como dispõe a Constituição da República, pondo fim ao tratamento favorável e injusto que têm tido os rendimentos do capital e da propriedade no nosso país

 

Eugénio Rosa,  edr2@netcabo.pt, 8.10.2014

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Para ler a Parte I deste trabalho de Eugénio Rosa, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá:

O SISTEMA FISCAL PORTUGUÊS É ANTIDEMOCRÁTICO, PORQUE PAGA MAIS IMPOSTOS QUEM MENOS TEM – por EUGÉNIO ROSA

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