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ESPECIALISTAS REUNEM-SE DE NOVO A PENSAR A OBESIDADE – “VELHOS MITOS, NOVOS ALIADOS” por clara castilho

A Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade vai realizar, nos dias 24 a 26 de Outubro de 2014, em Aveiro, no Hotel Meliâ Ria,  o 18º Congresso Português de Obesidade, tendo por lema “Velhos Mitos, Novos Aliados”.

Uma criança obesa está em risco de vir a sofrer de sérios problemas de saúde durante a sua adolescência e na idade adulta. Tem maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, asma, doenças do fígado, apneia do sono e vários tipos de cancro. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é a segunda principal causa de morte no mundo que se pode prevenir, a seguir ao tabaco.

São também graves os problemas sociais e psicológicos que enfrentam as crianças obesas. Estão mais sujeitas a ataques de bullying e outros tipos de discriminação. O que poderá provocar consequências directas na sua auto-estima e a quebra no seu rendimento escolar.

Se não receberem apoio especializado poderão sofrer ainda de depressão ou outras doenças do foro psicológico quando atingirem a idade adulta. A obesidade infantil está associada ao desenvolvimento de outras doenças graves.

Em Portugal, uma em cada três crianças tem este problema de saúde. Segundo o estudo 2013-2014 da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil que contou com 18.374 crianças (uma das maiores amostras neste tipo de investigação): 33,3% das crianças entre os 2 e os 12 anos têm excesso de peso, das quais 16,8% são obesas. De acordo com a Comissão Europeia, Portugal está entre os países da europa com maior número de crianças afectadas por esta epidemia.

Pedro Graça, Coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável e Coordenador da Plataforma Contra a Obesidade, numa brochura para técnico, diz na sua intridução: “A obesidade é um dos principais problemas de saúde pública no mundo inteiro. Pelo número de pessoas que atinge, pelas doenças que aparecem ao seu redor e que são claramente influenciadas pelo excesso de gordura corporal, pelo facto de atingir cada vez mais os desprotegidos socialmente e ainda, por ser tão difícil de tratar.

A nutrição humana é “uma ciência na qual se integra o conhecimento de várias disciplinas para aumentar o impacto dos alimentos na saúde e no bem-estar das pessoas”, e obriga necessariamente a uma multidisciplinaridade nos conhecimentos.

Quem trabalha na área necessita de compreender fundamentos biológicos, sociais, económicos e comportamentais que estão na base das interações entre o organismo e a sua alimentação. A alimentação das populações e a forma como esta utiliza o seu tempo e gasta energia, é acima de tudo, um modelo de comportamento influenciado pela cultura e normas da sociedade. Prevenir e combater a obesidade implica conhecer o formato de organização da sociedade, como esta se mobiliza, como se planeia e como se definem políticas públicas de urbanismo, desporto, segurança, educação, saúde, agricultura ou ambiente. A obesidade é condicionada por factores estruturais da sociedade e da relação do cidadão com esta. Parte do insucesso da prevenção e combate a esta doença crónica tem residido na incapacidade de se pensar a doença de forma diferente.”

Defende que “ a prevenção e tratamento da obesidade é uma tarefa que tem de ser igualmente partilhada por diversos profissionais e que tem de ser alargada a outros “atores”, inclusive fora da área da saúde”, que há “necessidade de compreender o meio ambiente que determina e condiciona a obesidade” e que “problemas complexos exigem soluções integradas e em atualização constante onde o doente tem de estar no centro das atenções”.

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