O NOSSO ESTADO DE SAÚDE – OBESIDADE INFANTIL I por clara castilho

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Como estão as nossas crianças em matéria de saúde física? A obesidade infantil é hoje uma das preocupações de técnicos e pais. A B., com 10 anos pesava mais de 60 kgs, o seu corpo disforme era alvo de chacota. Tentámos elaborar um plano para que a sua família tomasse atenção à situação, alertando para o mal estar da criança e para os perigos para a sua saúde. Nas refeições, a B. fazia um grande esforço, mas acabava por pedir sempre mais comida. Em casa, sabíamos que os bolos grátis que a mãe trazia do emprego eram a base da sua alimentação. Quanto a levá-la a consulta especializada, só quase ao fim de um ano o conseguimos, e depois de termos posto em acção outros familiares…Mas o seu sorriso quando mais tarde nos procurou, contando que tinha ido ao médico e já tinha abatido um kg compensou o esforço.

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A APCOI (Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil – organização sem fins lucrativos –  http://www.apcoi.pt/) ajuda-nos a reflectir sobre este tema.

Mundialmente, segundo a British Medical Association, mais de 22 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade tem excesso de peso, bem como 155 milhões de crianças em idade escolar. Em Portugal, uma em cada três crianças tem excesso de peso ou obesidade infantil, segundo os estudos mais recentes da Organização Mundial de Saúde. De acordo com a Comissão Europeia, Portugal está entre os países europeus com maior número de crianças afectadas por esta epidemia: 29% das crianças portuguesas entre 2 e 5 anos têm excesso de peso e 12,5% são obesas. Na faixa etária dos 6 aos 8 anos, a prevalência do excesso de peso é de 32% e a da obesidade é de 13,9%.

Os primeiros dados revelados pelo Sistema Europeu de Vigilância Nutricional Infantil da Organização Mundial de Saúde indicam que: mais de 90% das crianças portuguesas come fast-food, doces e bebe refrigerantes, pelo menos quatro vezes por semana. Menos de 1% das crianças bebe água todos os dias e só 2% consome fruta fresca diariamente. Quase 60% das crianças vão para a escola de carro e apenas 40% participam em actividades extra-curriculares que envolvam actividade física.

Os especialistas alertam ainda para a necessidade de tomar medidas capazes de travar o avanço desta epidemia, porque, se esta tendência continuar, esta geração de crianças será a primeira da história a viver uma vida mais curta que a dos seus pais.

Uma criança obesa está em risco de vir a sofrer de sérios problemas de saúde durante a sua adolescência e na idade adulta. Tem maior probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, asma, doenças do fígado, apneia do sono e vários tipos de cancro. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é a segunda principal causa de morte no mundo que se pode prevenir, a seguir ao tabaco.

São também graves os problemas sociais e psicológicos que enfrentam as crianças obesas. Estão mais sujeitas a ataques de bullying e outros tipos de discriminação. O que poderá provocar consequências directas na sua auto-estima e a quebra no seu rendimento escolar.

Se não receberem apoio especializado poderão sofrer ainda de depressão ou outras doenças do foro psicológico quando atingirem a idade adulta.

 Este assunto já foi por nós abordado em http://aviagemdosargonautas.net/2013/01/18/obesidade-infantil-como-detectar-como-prevenir-por-clara-castilho/

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