OBESIDADE INFANTIL – COMO DETECTAR, COMO PREVENIR por clara castilho

9349741_b7nUlAnteriormente, os especialistas acreditavam que factores genéticos eram os maiores determinantes de problemas de peso nas crianças, mas informação que nos é dada diz que apenas cerca de um em cada dez casos de obesidade é resultado de uma mutação genética rara que afecta o apetite.

 Serão as crianças finlandesas (4.032 crianças finlandesas nascidas em 1986), as italianas (1053) e as americanas (1032) iguais? Assim parece no que respeita ao risco de obesidade. Pesquisadores britânicos ( do Imperial College de Londres)  estudaram-nas e afirmam que uma fórmula simples com cinco perguntas é capaz de prever o risco de obesidade de uma criança logo após seu nascimento.

Eles descobriram que apenas a análise de algumas medidas simples já é o bastante para prever a obesidade.

A lista tem cinco perguntas:

– qual o peso da criança ao nascer?

– qual o índice de massa corporal dos pais?

– a mãe fumou durante a gravidez ?

– quantas pessoas  moram na casa da criança recém-nascida?

– qual o status profissional da mãe?

 Custa a crer a ligação entre estas 5 coisas!

Os dois últimos itens estão relacionados ao ambiente social no qual a criança nasce e que pode levar ao aumento do risco de obesidade.

Consideram os investigadores que, por um lado, quanto menor é o número de pessoas que viverem numa mesma habitação, maior é o risco de obesidade da criança, pois é dentro deste número que se encontram as mães solteiras, e por outro, quanto maior é o nível de educação das mães, mais elas estão preparadas no que se refere a informações que dizem respeito à saúde da criança.

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Philippe Froguel, do Imperial College de Londres, que liderou o estudo, afirmou que, a partir dos dados de um recém-nascido, podemos prever, com cerca de 80% de certeza, quais os casos de crianças obesas. Defende o investigador que a prevenção da obesidade é a melhor estratégia para a infância mas reconhece que as campanhas de prevenção tem sido muito ineficazes para o evitar. Advoga que ensinar aos pais sobre o risco do excesso de alimentação e maus hábitos nutricionais seria muito mais eficaz.

“A prevenção deve começar o mais cedo possível, pois perder peso é muito mais difícil”, afirmou Marjo-Riitta Jarvelin outra investigadora.

E que fazer quando, já mais crescidinhas se constata o peso a mais? Tem-se verificado um aumento de mais de 200% na incidência de sobrepeso entre crianças de 5 a 9 anos nas últimas três décadas, tanto nos EUA como no Brasil.

Pôr as crianças de dieta não e consensual. Por exemplo, médicos da Clínica Mayo, em Jacksonville, Flórida (EUA) e cientistas brasileiros, assim pensam. Consideram que será melhor encorajar os pais a adoptar um estilo de vida saudável, incluindo alterações nos tipos e nas quantidades de alimentos oferecidos às crianças. Paralelamente, a actividade física regular poderá ajudar a que a maioria das crianças seja capaz de chegar a um índice de massa corporal saudável, aproveitando o potencial de crescimento. Assim, põe-se a tónica na adopção de um estilo de vida saudável de toda a família. Uma criança deveria fazer cerca de 60 minutos por dia de actividades físicas.

Fazer dieta restritiva as crianças pode levar a deficiências de nutrientes e de vitaminas importantes para o crescimento. A dieta só deveria ser indicada em caso de IMC muito alto ou quando há evidência clínica de pressão alta ou colesterol.

Quando a criança está com sobrepeso, como deverão os pais falar-lhe desse facto? Deverão chamar-lhe gorda? Parece que será melhor falar sobre o que é um peso saudável. Deverão evitar-se os estigmas sociais, sendo melhor colocar a ênfase na saúde e no impacto que o hábito e as escolhas de estilo de vida podem ter sobre a saúde.

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