Charles Fourier, foi um socialista francês da primeira metade do século XIX, um dos pais do cooperativismo. Feminista, colocava como condição sine qua non do avanço da civilização, a igualdade plena de direitos e deveres para homens e mulheres. Foi também um crítico feroz do economicismo e do capitalismo de sua época, e adversário da industrialização, da civilização urbana, do liberalismo e da família baseada no casamento e na monogamia, disse que só pode amar a Humanidade quem ama uma pessoa determinada.
Amar a Humanidade como desculpa para não amar ninguém, é uma falácia, um embuste. Do mesmo modo, não tem sentido defender o internacionalismo sem amar a terra onde se nasceu. Poder-se-ia dizer que não se pode ser internacionalista sem se ser nacionalista.
Mas ‘nacionalismo’ é palavra com conotação perversa, pois pressupõe uma avaliação exagerada dos valores de um país relativamente aos outros, uma exaltação mitificada de feitos históricos. O nacionalismo tem sido a forma como as ideologias de extrema-direita introduzem os seus princípios. Há também quem para não ser acusado de «nacionalismo» defenda a tese de que tudo o que é nacional é mau. Como se um disparate pudesse ser combatido com outro disparate.
Quando defendemos a independência da Catalunha e uma redefinição das fronteiras peninsulares, restituindo a autonomia às nações que histórica e culturalmente a compõem, não o fazemos contra a Espanha que, partindo de uma utopia, é hoje uma realidade insofismável, mas sim a favor de quem não quer estar subordinado a um poder estrangeiro. Nada temos contra os castelhanos, tanto mais que muitos espanholistas são galegos, bascos, catalães…
Somos contra o nacionalismo herdado da ditadura franquista e temos tentado destacar o défice democrático que, quase 40 anos após a morte do generalíssimo, perdura em mentes e instituições. Um ‘nacionalismo antidemocrático pretende impor a sua vontade, a sua língua, a sua cultura. Os argumentos são inconsistentes e falam da Constituição como se falassem das Tábuas da Lei. É o tal nacionalismo fascizante que nada tem a ver com o amor à nossa terra. Parte do princípio que o centro do mundo se situa na Puerta del Sol e de que Deus fala castelhano.