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A SAÚDE MENTAL EM NÚMEROS – QUEM MAIS SOFRE E DE QUÊ por clara castilho

Ontem publicámos parte da tomada de posição da Ordem dos Psicólogos, em relação ao Relatório da Direcção Geral de Saúde “Saúde mental em números – 2014”.

Retiremos, então, alguns dados do referido relatório. Referindo-se a um Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental (Caldas de Almeida J & Xavier M, 2013), apontam que esses dados apontam para o facto de as perturbações psiquiátricas afetarem mais de um quinto da população portuguesa. Deste valor global destacam-se as perturbações da ansiedade (16,5%) e nas perturbações depressivas (7,9%). Comparando com outros países, vê-se que os valores da prevalência das perturbações mentais em Portugal apenas são comparáveis aos da Irlanda do Norte (23,1%) ( recentemente publicados no âmbito da World Mental Health Survey Initiative) dentro da Europa, e aos dos EUA (26,4%), fora da Europa.

As mulheres têm mais risco de sofrerem de perturbações depressivas e os homens de perturbações do controlo dos impulsos e do consumo de substâncias (no caso de Portugal, os dados sobre consumo de substâncias referem-se apenas às perturbações relacionadas com o consumo de álcool).

Os grupos das faixas etárias mais avançadas apresentam menos probabilidade de sofrerem de perturbações depressivas, de ansiedade e por utilização de substâncias. O grupo de pessoas anteriormente casadas (separadas/ divorciadas/ viúvas), têm uma maior probabilidade de sofrer de perturbações depressivas ou por utilização de substâncias, com as pessoas que nunca casaram a terem maior risco de sofrerem de perturbações por utilização de substâncias e de controlo dos impulsos.

A percentagem de utilização dos serviços devido a perturbações psiquiátricas, é muito superior nas mulheres, tanto ao longo da vida (48,8%) como nos últimos 12 meses (18,8%). Os dados sobre o consumo de psicofármacos evidenciam um padrão elevado de consumo nos últimos 12 meses, quer de ansiolíticos (24,3% das mulheres e 9,8% dos homens) quer de antidepressivos (13,2% das mulheres e 3,9% dos homens) na população geral. O consumo de ansiolíticos é mais elevado nas pessoas com um diagnóstico de perturbação depressiva quando comparado com o nas pessoas com perturbações de ansiedade, tanto em homens como em mulheres .

As doenças mentais estão associadas a incapacidade e doenças crónicas. Os dados obtidos, corroboram os números da prevalência das doenças mentais no nosso país e justificam plenamente a necessidade de manter a Saúde Mental como prioridade absoluta do ponto de vista da melhoria contínua da prestação de cuidados e da prossecução da implementação do Plano Nacional de Saúde Mental 2007-2016.

Nas considerações finais, frisam que as equipas de saúde mental em Portugal continuam num patamar de desenvolvimento significativamente inferior ao dos restantes países da Europa Ocidental. Assim, enquanto este aspeto não se modificar, é compreensível que a intervenção quase exclusivamente psi­cofarmacológica tenda a ser a resposta predominante, mesmo nas situações em que não está particu­larmente indicada, de acordo com a evidência científica disponível.

Salientam ainda que, no que se refere à prevenção em Saúde Mental, vertente considerada no Plano Nacional 2007-2016, esta tem sido menos investida face à necessidade premente de res­ponder ao tratamento e reabilitação decorrentes da elevada patologia mental.

Chamam a atenção para o facto de a qualidade da Saúde Mental dos cidadãos não resultar apenas de atenção e investimentos de responsabilidade direta das áreas governamentais que tutelam a saúde mas de políticas articuladas que, transversalmente, envolvam os sectores oficiais impli­cados nos indicadores gravosos das desigualdades sociais.

Relatório completo em: http://www.dgs.pt/estatisticas-de-saude/estatisticas-de-saude/publicacoes/portugal-saude-mental-em-numeros-2014.aspx

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