CARTA DE ÉVORA – Finalmente – por Joaquim Palminha Silva


Finalmente…
Onde eu for é manhã cinzenta,
manhã triste e circular…
Manhã parda que se apoquenta
na saudade do teu olhar.
Manhã pasmada.
Só.
Mais nada.
Manhã cinzenta a sofrer
na ausência já cansada
desta paisagem a doer.
E caem-me dentro dos olhos
sob contornos esquecidos
lágrimas que os sobrolhos
escondem dos seus gritos.
Cavo nesta manhã a vala
da solidão que enrolo…
Só o tempo me embala
com o berço da Morte ao colo.
Enlaça terra querida
minh’alma fria e cansada…
Ao tempo que Évora me anda
pedindo saudades da vida!