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SUICÍDIOS, MODOS DE EMPREGO – O OPTIMISMO LIMITADO E A DECADÊNCIA CEGA CONCORREM PARA A NOSSA QUEDA – por JEAN-LUC GRÉAU

Falareconomia1 Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

Suicidios, modos de emprego

O optimismo limitado e a decadência cega  concorrem para a  nossa queda

Jean-Luc Gréau, Suicides, modes d’emploi- L’optimisme borné et le déclinisme aveugle concourent à notre chute

Revista Causeur.fr, 22 de Dezembro de 2014

 “A França mata-se,  a França morreu”: a mensagem emitida por Éric Zemmour no Le Suicide français escandaliza os não-pensantes da esfera política e mediática. O livro é discutível, como todos os outros, mas é notável pela sua preocupação de reconstituição metódica da trajectória nacional desde há quarenta anos.

Proponho-me que se acrescente um   addendum  a  este trabalho de Romano sublinhando que o suicídio francês se alimentou de dois discursos contraditórios: o da França que cai e o da França invulnerável. Sobrepostos, estes dois discursos desarmaram a crítica objectiva dos problemas que nos sitiam e facilitaram as decisões a  contra-senso das quais hoje estamos prisioneiros.

A França que cai

Publicado em 2003, o opúsculo  de Nicolas Baverez(1)  oferece, no estilo ao mesmo tempo veemente e professoral do seu autor, um rosário de pérolas representativo da visão neoliberal   triunfante, alguns anos antes das duas grandes crises, americanas e europeias, que abalaram o Ocidente.

No momento em que constituía em força a bolha imobiliária americana, favorecida por uma política monetária irresponsável do Banco central e pelo efeito de alavanca da dívida das famílias, Baverez  acredita poder fazer esta constatação: “Os Estados Unidos afirmam-se como o ressegurador em último recurso da economia mundial e o regulador do capitalismo.

Alguns anos mais tarde,  a grande crise financeira americana de 2008, que se propagará  à Europa, mostrará que “o ressegurador em último recurso  da economia mundial” dopava o seu crescimento à custa de empréstimos à habitação  e ao consumo, e que “o regulador do capitalismo mundial” dopava os seus activos financeiros e imobiliários à custa  “das taxas ditas de   subprime ” e de produtos derivados procedentes do crédito hipotecário (2). As declarações de Baverez  exprimem uma espécie de cegueira militante a favor da  superpotência americana (3) que demonstra a superioridade tecnológica absoluta adquirida pelo exército americano “.] o que nos recorda o zelo “dos companheiros de estrada ”.

 […]

*Photo : RAMPAZZO ALESSANDRO/SIPA. 00687661_000013.

  1. Éditions Tempus. 

  2. Tais como os  Collateralized Debt Obligations et les Credit Default Swaps.

  3. Que se  manifesta   também sobre o terreno diplomático e militar: aquando da sua oposição à guerra no Iraque, “Jacques Chirac agarrou-se  quase palavra a palavra ao  discurso de Daladier e de Chamberlain aquando dos acordos de Munique”, e com “o sucesso militar incontestável [no Iraque ]

  4. O Prémio Nobel de economia é um prémio do Banco Central da Suécia atribuído à memória de Alfred Nobel que coroou Merton e Scholes, responsáveis da falência do fundo LTCM em 1998 e Pissarides, que pilotava a economia cipriota até à sua falência,  em 2012.

Jean-Luc Gréau, Suicides, modes d’emploi- L’optimisme borné et le déclinisme aveugle concourent à notre chute, Causeur.

Texto  disponível em : http://www.causeur.fr/zemmour-baverez-crise-30745.html

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