Grécia: o momento Merkel? – por Jean-Luc Gréau

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

Grécia: o momento Merkel?

Três opções estão sobre a mesa

Jean-Luc Gréau

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Terça-feira 7 de Julho, Angela Merkel gritou em Bruxelas, em frente do novo ministro das Finanças grego, que terá chegado à cimeira europeia de mãos nos bolsos: “Não há nenhuma base para a negociação. Digo que não é uma questão de semanas mas sim de dias. ”

A chanceler não tem nenhuma necessidade de um referendo para saber que a Alemanha faz bloco atrás dela   face aos jogadores do governo grego e à sua clientela eleitoral. Os Alemães querem pôr fim ao vaudeville no qual são obrigados a jogar, mesmo que de contra vontade, para salvar a Grécia e o euro, desde há mais de cinco anos. Portanto, o campo das opções reduz-se para Ângela Merkel.

A primeira opção seria a de uma capitulação não confessada que consiste em aceitar as propostas de Atenas. O governo Tsipras escolheu proteger as pensões de reforma, sobrecarregando as classes médias e as empresas (1). Com grande pena pelo lado do FMI que vê aí o meio mais seguro de afundar o que resta da economia grega. Mas a forma como os Alemães reagiram “à vitória da democracia” proíbe-lhe esta opção. Sigmar Gabriel, ministro SPD da Economia, ilustrou a sua reacção nestes termos: “Os Gregos acabam de romper as últimas pontes com a Europa”.

A segunda opção é a que consiste em impor à Grécia uma saída do euro, já em metade conseguida desde que os bancos gregos deixaram de ter acesso ao financiamento do banco central de Frankfurt. Com um risco financeiro. Ninguém pode pretender que o não pagamento grego, acompanhado de um Grexit, não provocaria uma deflagração sobre os mercados do crédito. Este risco financeiro é ainda tanto mais tangível quanto as taxas de juro praticadas sobre estes mercados são extraordinariamente baixas, como se existisse uma bolha do crédito (2). Mas há também um risco político sob forma de primeiro falhanço confessado do euro. Ora, quem é que disse que “um malogro do euro seria um malogro da Europa” se não ela mesma, Ângela Merkel?

Pode-se então especular sobre uma terceira opção. A chanceler, consciente de que a dupla experiência do euro e da Europa já mais parece uma aventura, poderia querer tomar a iniciativa e antecipando-se sobre a existência de novas crises e de novos conflitos, abrindo a via a uma desconstrução metódica do euro e da Europa. Angela Merkel encarnaria então o que encarnou no seu tempo Mikhaïl Gorbatchev, quando pôs fim à União soviética e à experiência do socialismo real. Angela Merkel entraria na História pela porta grande.

A terceira opção não corresponde em nada à personalidade da chanceler. Todos nós reconhecemos nela uma política cuidadosa, voluntária e teimosa, que segue dois princípios: a defesa dos interesses alemães e a sua própria salvaguarda. Não se apostará sobre esta terceira opção que poria em causa os povos e os Estados na Europa. E é bem pena .

Jean-Luc Gréau Grèce: le moment Merkel? Trois options sont sur la table. Revista Causeur, texto disponível em : http://www.causeur.fr/merkel-grece-euro-grexit-33721.html

 

 

*Photo : Wikipedia.org

  1. Com o risco de acelerar o êxodo destas classes       médias e das pequenas empresas de que mais de um milhar já se deslocalizaram para a Bulgária .

  2. Bolha de que os bancos centrais foram os instigadores pela sua política de dinheiro gratuito.

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