A marca CR7 acaba de arrecadar a sua terceira bola de ouro da Fifa, a multinacional do futebol dos milhões. A respectiva gala estava agendada para ontem e nem o massacre de Paris, na semana anterior, nem a grande manifestação de Medo do Ocidente, realizada na véspera, conseguiram adiá-la. O calendário da Fifa sobrepôs-se à inesperada realidade não calendarizada e, de um dia para o outro, tudo levou/lavou dos grandes media. Nomeadamrente, as incontáveis vítimas do Terror(ismo) que o Poder produz em série em todas as nações do mundo. Das quais, as do massacre de Paris são uma pequeníssima mostra, demencialmente, mediatizado nos países do Ocidente, só porque foi programado para ocorrer no coração da Europa, não no Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, ou Faixa de Gaza. Tenho tudo contra a marca CR7. Mas uma enorme, profunda pena de Cristiano Ronaldo, filho de mulher da pequena Região Autónoma da Madeira, onde o luxo de alguns se passeia, despudorada e ostensivamente, por entre o lixo da maioria. O que perfaz uma crueldade institucional, gerada pelo mesmo Poder que tem feito deste ser humano, um dos maiores reféns do seu maldito futebol dos milhões. Aos 29 anos de idade, é hoje um mediatizado escravo de luxo que se não reconhece, de tão interiormente comido/devorado pelos milhões que ganha/acumula, e pelos grandes media, por isso, a milhas de distância dos seus concidadãos madeirenses, condenados a viver em condições de insegurança habitacional, que nem ele, nem eles querem ver. A Fifa do futebol dos milhões conseguiu reduzi-lo a uma marca, mais, do Mercado, com todos os tiques que a Publicidade permanentemente lhe exige, numa feroz e contínua competição de fazer doer a alma e chorar as pedras da calçada. Só no mundo do Poder, aberrações de bradar aos céus como esta são achadas naturais e, até, invejadas por muitas, muitos. Que o Poder tem esse terrível condão de tornar pequenas as almas e de tudo levar/lavar, à excepção do Mercado. Choremos!
13 Janº 2015

