Que fique claro que a posição de A Viagem dos Argonautas quanto ao criminoso massacre de Paris é de total e inequívoco repúdio. Uma religião que produz fanáticos incapazes de pensar com as suas cabeças, transformados em impiedosas máquinas assassinas, é uma aberração, um fantasma vindo das trevas da história. E, ao punir com a morte desenhos satíricos, demonstra uma imensa fragilidade, uma forma de impor sem discussão o seu credo. O integrismo é uma forma de impedir raciocínios, uma barreira à inteligência, uma forma de os estúpidos vencerem os que são capazes de pensar. Mas o integrismo islâmico não é o único a desmentir milénios de civilização.
Maomé terá dito Ajuda, apoia, o teu irmão, quer ele seja opressor ou oprimido. Palavras que demonstram uma maturidade intelectual e uma capacidade de compreender o outro que mil e quatrocentos anos depois parece ter sido perdida.
Não desculpamos o crime. Temos, isso sim, tentado relativizar a sua dimensão. Temos lembrado as carnificinas que têm ocorrido em Gaza – as centenas de civis inocentes, entre os quais numerosas crianças, gente assassinada e sem direito a minutos de silêncio, a marchas de protesto, a bandeiras a meia-haste. O terrorismo de Estado é mais desculpável do que o terrorismo religioso? E temos referido a circunstância de ser este crime, este genocídio praticado pelos israelitas, que produz os terroristas islâmicos. E não se vê solução – a presença de Benjamin Netanyahu na primeira fila dos manifestantes, um execrável criminoso de guerra, mais culpado do que muitos dos que foram enforcados em Nuremberga, demonstra que o Ocidente quer manter as coisas como estão – os sionistas assassinando crianças palestinianas, os clérigos islâmicos produzindo terroristas nas madraças, os sheiks negociando com Wall Street e mantendo o controlo sobre os preços do petróleo.
Diz-.se que Georges Wolinsky morreu fazendo um manguito aos seus assassinos. Nós endereçamos a Barack Obama e à CIA, a Benjamin Netanyahu e aos falcões da Mossad, a François Holland, à senhora Merkel, a Passos Coelho, a todos os actores desta má comédia, uma lembrança de Rafael Bordalo Pinheiro.
E temos em stock outras «prendas» da mesma proveniência, porventura mais incisivas…