O TESTEMUNHO DE DUAS JOVENS LICENCIADAS: Geração X licenciaturas – por Joana Domingues e Pamela Domingues  

 

                Prometeram-nos o mundo. E nós acreditamos: “Tira boas notas, estuda tudo o que puderes, segue as regras e um dia serás alguém”. Mas se em vez disso, nos convidassem a desenvolver os nossos talentos? A pensar mais além, a indagar o porquê, em vez de memorizar. Porque o sistema educativo está feito de modo a que todos aprendamos de uma forma generalista, aborrecida e em muitos casos desnecessária e inútil. Quem se lembra das minuciosas datas de história? Quem se lembra das leis de física, a enciclopédia de anatomia ou biologia completa? Para quê? Se na hora de trabalhar sempre aprendemos o que necessitamos e de forma continua. Quem consegue neste país, neste momento, utilizar a sua licenciatura de forma profissional?  Pelos vistos poucos.

E se em vez de isto nos ensinassem a desafiar? A ser melhores? A sonhar? A romper com os limites e a indagar tudo e todos a nossa volta? Estaríamos no mesmo lugar? Aceitaríamos pacatamente tudo o que nos está a acontecer? Ou teríamos tomado ação?

  Um dos contextos fortemente salientes sobre os quais se organiza a identidade pessoal e vocacional, é a formação e a posterior inserção no mercado de trabalho. Atualmente, existe uma nova conceção acerca do mundo de trabalho, mediatizada pela era em que vivemos, o ensino superior, destaca-se por excelência no contexto da formação do jovem adulto, a nível de mercado educacional global. A educação é entendida como uma expressão de poder técnico em sociedades como a Europeia, pois é graças a ela que se desenvolve a formação, o conhecimento  e a produção de profissionais em várias áreas do saber. Contudo, é importante que exista um comportamento exploratório por parte do jovem, capaz de resistir a pressões externas, competência para reagir perante a insegurança e ambiguidade e o desenvolvimento da capacidade de decisão própria mediante pressões externas, familiares, etc. Pois são os próprios jovens, que vão viver as consequências das suas decisões (tenham sido elas influenciadas ou não). Como tal é necessária, uma tomada de consciência sobre o caminho da estandardização do ensino superior, e a procura do que realmente nos poderá tornar válidos e felizes com o desempenho profissional que escolhermos para as nossas vidas.

É nessa escolha que o ensino técnico pode ter um papel preponderante, já que existe uma rápida integração do aluno no mercado de trabalho, vendo-se mais cedo confrontado com a prática profissional e a descoberta da sua verdadeira vocação. O objetivo deste artigo não é defender um ensino mais técnico e profissionalizado, contudo é poder ampliar a toma de decisões do jovem numa altura em que o mercado de trabalho mostra que as melhores saídas não têm porque ser as altamente qualificadas, assistindo-se muitas das vezes, a uma não correspondência com o diploma adquirido. Como tal vale a pena pensar na nossa verdadeira vocação, olharmos para nós, sem a pressão de termos um canudo na “ prateleira”.

 

                                                                                                       Pamela & Joana Domingues

 

 

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