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PARIS-BAGA (NIGÉRIA) – DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS? por clara castilho

Na sexta-feira (9), a Amnistia Internacional divulgou um comunicado sobre o que seria o maior e mais mortal ataque do grupo Boko Haram desde o seu surgimento, em 2009. Calculam em 2 mil mortos na cidade de Baga, na Nigéria, e em diversas vilas ao seu redor. A versão oficial é a de 150 vítimas. Como ainda não é considerado seguro ir ao local para contar ou recolher os corpos espalhados pelas ruas, ainda se não conhece o número exato dificilmente será conhecido.

O grupo radical islâmico nasceu de uma seita que atrai jovens do norte da Nigéria. Seus líderes são críticos em relação ao governo nigeriano e querem estabelecer a lei do Islão no país. Paralelamente, condenam a educação ocidental e são contra mulheres frequentarem a escola.

Para Mohammed Yusuf, fundador da seita, os valores ocidentais, instaurados pelos colonizadores britânicos, são a fonte de todos os males sofridos pelo país. O grupo recruta novos membros principalmente entre os “almajirai”, estudantes islâmicos itinerantes, que não tiveram acesso a uma educação de qualidade. Também recebe apoio deintelectuais que consideram que a educação ocidental corrompe o Islã tradicional. Lembramos que a Nigéria é um país de maioria muçulmana no norte e no sul predominantemente cristão. O nome deste grupo, Boko Haram, significa precisamente “a educação não islâmica é um pecado”.

Um dos anteriores acontecimentos mais falados foi o de 12  de Maio de 2014 em que ocorreu o sequestro de  centenas de raparigas, que estavam na escola. Os seus raptores consideraram-nas escravas e pretenderam vendê-las e casá-las, impedindo-as de estudar.

Comparando com a solidariedade obtida em Paris, com as mortes ocorridas no ataque ao jornal Charlie Hebdo, o que se poderá dizer?

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