UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (80)
José Fernando Magalhães
PASSEIOS PELA MINHA CIDADE
Há alturas na nossa vida em que tudo nos parece mais difícil. Então, se as doenças nos aparecem de novo, tenham as maleitas a ver connosco directamente, ou apareçam elas com os nossos, as dificuldades são ainda maiores. Vivo um desses momentos! Infelizmente, muitos outros meus concidadãos passam por situações semelhantes e até muito mais difíceis. Nestas alturas, e já passei por umas quantas, utilizo esquemas para me descontrair, para me alegrar e para conseguir pensar nos caminhos correctos a tomar. Passeio pela minha cidade!
1 – Praia de Gondarém 2 – Torre dos Clérigos 3 – Avenida Montevideu 4 – Farol de Felgueiras
O Porto não é só uma cidade melancólica, com as suas brumas e os seus granitos escuros, poética, com os seus pôr-do-sol fantásticos, sensual, com os seus jardins de sonho, romântica, com os seus miradouros e os seus recantos, histórica, com os seus maravilhosos monumentos, académica, com as suas Faculdades, Fundações e Associações, ou cosmopolita, com a sua “movida” nocturna ou com a miríade de eventos que todos os dias nos surgem como cogumelos. O Porto é também uma cidade que nos transmite alegria, com as suas camélias (nunca deixou de ser a cidade das camélias) e as mais diversas flores apresentadas a cada época que atravessamos, que nos transmite tranquilidade, com os seus parques e jardins (muitos deles de arquitectura romântica) e com o seu silêncio (há muitos lugares da cidade onde se pode ainda “ouvir” o silêncio), e nos faz sonhar, com a sua luz fabulosa, seja ela coada pelas suas névoas, pela chuva, ou pelas suas sombras, apaziguadoras do calor do estio. E assim tenho feito nestes últimos dias.
1 – Ribeira 2 – Campo 24 de Agosto 3/4 – Jardim do Campo 24 de Agosto 5 – Praceta Luís de Camões – Av. do Brasil 6 – Gilreu 7 – Forte de São João Baptista da Foz do Douro
Como já disse anteriormente, tenho o privilégio de viver numa das mais bonitas zonas da cidade. Perto da minha casa tenho o Jardim de Serralves, o Parque da Cidade, o Parque da Pasteleira, e a Foz, com as suas frentes fluvial e marítima. E por aqui me perco, nos meus passeios de depuração. Também aproveito esses dias, e outros, para ver exposições (há-as para todos os gostos e feitios), visitar ou revisitar locais, procurar publicações esquecidas ou conversar com amigos que, como eu, gostem de uma boa cavaqueira. Ontem, depois de dar o meu passeio matinal pelas avenidas Brasil e Montevideu (um hábito que não quero perder), fui visitar a Fundação Escultor José Rodrigues. Devo confessar que nunca lá tinha ido.
Fundação Escultor José Rodrigues
Foi muito agradável. Estavam a preparar umas exposições que se vão inaugurar no próximo sábado e tive a oportunidade de conhecer uma excelente artista plástica, Fátima Ferreira, e de ver alguns dos seus trabalhos. Também pude ver algumas das obras do Mestre. Infelizmente não foi possível visitar o Museu. Ficará para uma próxima oportunidade.
A Fundação fica perto do largo da Fontinha, na rua da Fábrica Social, lá no alto, e o Mestre vive lá. É fácil encontrá-lo à hora do almoço, no bar da Fundação.