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CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – ABORTO: MUDAR A LEI, OU AS CONSCIÊNCIAS? – por Mário de Oliveira

quotidiano1

 

Sempre que os bispos portugueses se reunem em conferência, gostam de o fazer em Fátima. Não sabem que Fátima é a menos jesuânica das cidades de Portugal. Fugiriam, em lugar de correrem para lá e fazerem muitas outras pessoas correrem também. Para saberem, teriam de ser peritos em Jesus, o filho de Maria. Em Humanidade/Misericórdia. São peritos em poder sagrado = hierarquia, no topo da pirâmide eclesiástica. Em leis canónicas. Em liturgias religiosas. Em Cristo, o filho de David. No evangelho de S. Paulo. Sucessores do grupo dos Doze, os históricos traidores de Jesus que, em Abril do ano 30, o denunciaram/entregaram aos sumos-sacerdotes do templo de Jerusalém. “Covil de ladrões”, no lúcido, arrojado dizer do próprio Jesus. Para que fosse crucificado, como maldito de Deus, o da Bíblia. A cabeça deles é toda formatada pelo sistema eclesiástico. Chamam bem, ao mal. Verdade, à mentira. Liberdade, ao poder/obediência. Jesus, ao mítico Cristo. Igreja, ao sistema eclesiástico. Estão, por estes dias, reunidos em Fátima. Intoxicados por aquele cheiro a cera queimada; prisioneiros de privilégios; espartilhados por vestes imperiais romanas, filtram mosquitos, engolem camelos. Sem assuntos mediáticos na agenda – os graves problemas do país, da Europa, do mundo bem podem esperar sentados – decidiram, enquanto este “seu” Governo PP-PC está em funções, regressar à questão da lei de despenalização do aborto, aprovada, há anos, no Parlamento. “Exigem” a sua revisão! São bispos-clérigos, seres à parte dos demais, sem família constituída. Fossem bispos da Igreja de Jesus, ocupar-se-iam com a formação das consciências das populações, para que elas, não a lei, possam fazer, em cada situação concreta, as melhores opções. Só que essa é a via “porta estreita” de Jesus. Exige dedicação, proximidade, muito afecto. Não a via deles, os sumos-sacerdotes guardiães do templo/santuário de Fátima, covil de ladrões. Para sua vergonha. E humilhação das populações deprimidas, em becos sem saída.

14 Abril 2015

 

https://www.youtube.com/watch?v=_mpe5DlMPeo

 

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