Há feitos e momentos, também há textos e intelectuais que sabem dizer as palavras justas e destacar discreta e oportunamente as coincidências. Entre estes está, sem dúvida, o Professor Dr. Martinho Montero Santalha, (Cerdido, Crunha, 1947) catedrático de Língua e Literatura Galega na Universidade de Vigo, histórico defensor das Teses reintegracionistas na Galiza, sócio da AGAL, promotor e 1º presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa.
Entre os pioneiros que desde o século passado, reivindicaram – por palavras de Guerra da Cal – o ecumenismo da língua galego-portuguesa; na vanguarda das pessoas que assumem na Galiza o Acordo Ortográfico; figura intelectual e acadêmica amplamente reconhecida, destaca também como ativista continuado e criador literário esporádico.
Coerência, insistência e persistência, entre os principais fitos desta longa carreira, há de citar-se, já na década de 70, o Manifesto dos 13 de Roma; reivindicador constante da unidade histórica e prática da língua, filólogo, bom conhecedor dos clássicos e do latim, tradutor, discípulo e especialista na obra de Ricardo Carvalho Calero, é também um destacado conhecedor da nossa lírica e língua medieval.
O 25 de abril na inauguração da Casa da Língua Comum, e dentro do seminário «A nossa língua: 1000 anos de história, 8 séculos de escrita» o Presidente da AGLP apresentou edição crítica do testamento de 1214 de D. Afonso II.
A edição deu-se a conhecer num opúsculo publicado pela AGLP e intitulado O texto do testamento de 1214 de Dom Afonso II, rei de Portugal: Edições filológica, crítica e paleográfica.
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O testamento de Dom Afonso II (terceiro rei de Portugal, 1211-1223), redigido em Coimbra a 27 de junho de 1214, é considerado, “entre aqueles textos que podem datar-se com segurança e que se apresentam bem identificados linguisticamente”, a carta de fundação, ou oficialização da língua portuguesa.
É o documento que em feliz coincidência baliza a efeméride e principia as comemorações que se desenvolvem de junho de 2014 a junho de 2015, em que participa a Academia Galega.
O documento constitui, pois, uma parte do património comum de toda a Lusofonia, também portanto da Galiza e a oportunidade merecia o destaque que tão gentilmente em nome da AGLP oferece o seu Presidente.
Achega-se, neste opúsculo, nova edição do breve documento: uma leitura filológica em edição crítica, acompanhada da transcrição paleográfica dos dois manuscritos em que se conservou (o da Torre do Tombo, de Lisboa, e o do arquivo capitular da catedral de Toledo). Um trabalho rigoroso, que pretende divulgar e que destaca a proposta linguística do pesquisador e o objetivo da Academia Galega:
… de modo que o leitor atual, destinatário das edições, possa perceber sem dificuldade a continuidade histórica entre a língua medieval e a sua própria língua, por cima das leves variações diacrónicas, do mesmo modo que percebe a continuidade linguística por cima das variedades sincrónicas (isto é, dialetais, ou melhor, diatópicas) do presente, e dessa maneira possa reconhecer os textos medievais como pertencentes ao seu próprio sistema linguístico, do mesmo modo que identifica como tais as produções linguísticas de outros falantes do idioma que possuem normas ou formas de expressão distintas da sua. [À maneira de apresentação, p.5]
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