Errare humanum est? – Não, errar não é próprio do homem, do homo sapiens. O que caracteriza a espécie é a sua capacidade de acertar e de encontrar soluções para os problemas que o próprio desenvolvimento social vai criando. O erro é o caminho para o acerto, porque errando corrigitur error, ou seja, repetindo o erro, vamos eliminando hipóteses e acercando-nos da via que nos conduz ao objectivo. Máximo Gorky definiu a evolução da sociedade como a superação da condição animal – é esta separação entre o homem e o animal, opondo a cultura à natureza, objecto da antropologia, que se situa na base da luta política, entre um capitalismo que dá asas à condição animal, com os mais aptos a dominar os menos capazes.
A instrumentalização da biologia evolutiva por parte das ideologias reacionárias, sendo usada como seu suporte científico, é um abuso, uma perversão e um embuste. Como podemos, por um lado, louvar o progresso, o caminho da Humanidade para o Saber e, por outro, justificar e sancionar a exploração do homem pelo homem, o egoísmo feroz que dá lugar a exemplares com Ricardo Salgado vivendo da morte de outros seres humanos, a gente menos apta que, de acordo com esta biologia doegoísmo, como diria o Professor Germano Sacarrão, seria coisa natural. Natural em seres racionais, mas não em seres humanos.
A evolução do egoísmo que caracteriza a condição animal, eliminaria o altruísmo que é bandeira da Humanidade. O canibalismo, ainda que praticado sob a forma ritual da actividade bancária, seria, nessa óptica, humana, e os bandalhos que vivem faustosamente à custa da sua aptidão, seriam o produto da evolução. Não.
A herança biológica não pode servir de justificação a comportamentos criminosos. Os miseráveis que sugam o sangue a outros seres humanos, não necessitam de ser explicados e justificados pela biologia, mas sim de ser julgados e sentenciados. Errar não é humano. Sobretudo quando o erro de um homem ou de um bando, resulta na desgraça de muitos outros homens.