Reflexão – “Ao redor do Homem” – por Adão Cruz

 

 

Num artigo escrito por mim há pouco tempo, eu dizia que quando se deu o hipotético Big-Bang em razão do pequeno desequilíbrio entre a matéria e a antimatéria, o Universo entrou em expansão e, com ele, esta risível partícula de poeira chamada Homem. Daí para cá a luta do Homem não mais teve calendário e sempre foi difícil, complexa e demorada. No confronto entre a resistência da condição humana como força antropocêntrica e o movimento de fuga para fora dessa condição, tendente a dilatar o Homem no infinito, reside, a meu ver, a interface onde a verdadeira vida se processa. Uma luta racional e científica projecta-o para fora da sua estreiteza humana, mas também o prende ao amadurecimento da consciência social ajudando-o a combater a sua perversão.

 O Homem não é o centro de nada, quer queiramos quer não, mas detém a força do equilíbrio ou do desequilíbrio da humanidade. O homem tem um enorme potencial de conhecimento acumulado, o qual, no contexto da revolução técnico-científica, quando instrumentalizada pelo neoliberalismo, pode aprofundar o desequilíbrio entre os homens e constituir uma ameaça à soberania da dignidade, elemento nuclear da vida.

 O homem é um animal, e o animal é um organismo complexo. O Homem é um ser vivo com actividade própria em permanente interacção adaptativa com o meio. Possui uma força intelectiva e emocional, que o torna capaz de entender as realidades e transformá-las, transformando-se dentro da sua sensibilidade intrínseca. Assim como o seu fenótipo resulta de uma interacção e de um diálogo permanente entre o genótipo e o meio ambiente, ele, ontologicamente parte integrante do Universo, não pode fugir à sua relação com o infinito.

 O organismo humano é uma unidade constituída por subunidades, também elas muito complexas e em interacção permanente. Mas o Homem não é um simples quantitativo nem uma soma, antes se constitui por um crescendo de saltos qualitativos que nos levam a reconhecer que o todo é sempre muito maior do que as partes, tanto no que às relações humanas se refere, como à dimensão da sua relação universal.

Adão cruz

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