Cuba e os Estados Unidos vão reatar as relações diplomáticas ao nível das embaixadas, nos termos referidos na notícia acessível no link abaixo. Haverá quem pretenda estar-se perante um acontecimento de grande importância histórica, que marca o fim de uma época. Alguns acharão que Cuba se rendeu ao imperialismo, outros que os Estados Unidos resolveram transigir com o regime cubano. Também haverá quem pense que cada um dos lados espera tirar proveito da situação, tecendo teorias mais simples ou mais complicadas, conforme as ideias subjacentes.
Por nós, diremos que se trata de uma medida sensata, que poderá trazer benefícios a ambas as partes, se forem cumpridas duas condições. A primeira será que se procure que a aproximação/abertura seja para durar. A segunda que cada uma das partes não queira impor regras ou mesmo simples medidas que não tenham a aquiescência da outra. Claro que tanto num caso como noutro pesará o facto de uma das partes ser uma superpotência, com mais de 300 milhões de habitantes e a outra um país com pouco mais de 11 milhões de habitantes. E como tal, não será muito audacioso concluir que a primeira exercerá grande influência sobre o segundo, muito mais do que em sentido contrário. Não temos por garantido que qualquer destas duas condições indicadas se venha a verificar, mesmo a um nível meramente simbólico.
O desafio que se põe a Cuba será o de conseguir uma evolução em termos que não afectem os progressos que conseguiu em termos de educação e saúde, e ter algum crescimento económico, de modo a que num futuro mais menos próximo não siga o caminho dos seus vizinhos Haiti, República Dominicana e Porto Rico. Dentro em breve querer-lhe-ão impor um programa de privatizações, à semelhança do que tem acontecido noutras partes do mundo, que terá como objectivo óbvio liquidar tudo o que não for redutível ao lucro privado, subordinado ao sistema financeiro internacional, do qual o seu poderoso vizinho do norte é a principal fortaleza.
Um cenário a ter em conta é o de este reatamento das relações diplomáticas não passar de um epifenómeno resultante da aproximação do fim do segundo mandato de Barack Obama. Sendo os republicanos, na sua maioria, e ao que parece, opostos à melhoria das relações com Cuba, terá havido o desejo de deixar obra feita para facilitar a vida ao candidato democrata às próximas eleições presidenciais. Por outro lado, Obama parece ultimamente muito empenhado em não querer ficar na história como um presidente que não cumpriu uma única das suas promessas. Ultimamente, algumas parecem mais perto de se concretizar. Será que se mantêm com presidentes futuros?
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