PORQUE É QUE TSIPRAS SUBSTITUIU VAROUFAKIS – por LUDOVIC FILLOLS
joaompmachado
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Porque é que Tsipras substituiu Varoufakis
Ludovic Fillols, Pourquoi Tsipras a répudié Varoufakis
Revista Causeur.fr, publicado a 6 de Julho de 2015
Varoufakis vai-se embora depois de uma última acção verdadeiramente importante. Muito cedo, esta manhã, soube-se da partida do ministro grego das Finanças. Surpreendendo, até porque a vitória do Não deixava prever o regresso em força deste economista popular na Grécia mas que se tem tornado fortemente indesejável nos centros europeus do poder.
Foi no seu blog que Varoufakis explicou as circunstâncias desta demissão: “Pouco depois do anúncio dos resultados do referendo, informaram-me que certos membros do Eurogrupo, e “os parceiros” associados, (…) prefeririam que eu esteja ausente das reuniões; uma ideia que o Primeiro ministro julgou potencialmente útil à obtenção de um acordo. Por esta razão deixo o ministério das Finanças hoje”. Por outras palavras, Varoufakis teria visto a sua cabeça cair a pedido dos parceiros europeus que já não suportavam as suas intervenções orais.
Fechando-se na provocação, Yanis Varoufakis não soube adaptar-se aos debates agitados mas claramente mais polidos entre o seu governo e os credores do seu país. Contudo, apesar dos pedidos repetidos de fazer cair a cabeça do seu ministro, Alexis Tsipras sempre se tinha recusado a fazê-lo.
Mas a atitude fanfarrona de Varofakis ontem à noite lançou um frio definitivo entre os dois governantes. Depois do anúncio da vitória do Não , Varoufakis com efeito foi à tribuna para falar à multidão. Ora, Alexis Tsipras considerava que deveria ser o primeiro a dirigir-se ao povo, protocolo obriga.
Ao jornal Le Monde, o politólogo grego Elias Nikolakopoulos descreve a reacção do primeiro ministro grego: “Tsipras estava furioso com o que o ministro das Finanças grego fez ontem à noite. Varoufakis falou num tom de quem está a dar uma lição e triunfalista enquanto que o Primeiro ministro esperava pacientemente a sua vez para lançar uma mensagem medida e de apelo à união nacional. Aquilo não se faz! ”.
Estas pequenas loucuras do economista, que podiam seduzir quando eram dirigidas contra as instituições europeias, ter-lhe-ão valido pôr-se de costas não somente face à Troika mas também face ao seu Primeiro Ministro. Triste balanço para um intelectual que terá trocado a acção pelo espectáculo.