Eis el-rei D. Fernando II!
Ouçam a história da vida deste monarca a quem chamaram o rei-artista!
“Tudo começou com um casamento… o meu casamento… corria o ano de 1836!
Eu, Fernando de Saxe Coburgo Gotta (podem admirar o meu busto, logo à entradado palácio) casei, primeiro, por procuração e depois, pessoalmente, com a rainha de Portugal, D. Maria da Glória etc., etc., etc…..eram 14, os nomes da minha esposa e nunca os consegui decorar a todos!…
Devo confessar-vos que, sendo príncipe consorte, de origem alemã, desde cedo me enamorei pela vossa terra, por Portugal, em particular, pela então vila de Sintra. A frescura, o encanto e a beleza paisagística desta formosa e famosa terra ecoaram bem fundo no meu coração.
Mas, não há bela sem senão!
Qual não foi o meu espanto quando, depois de termos subido aquela serra, íngreme e pedregosa, comecei a ver o que restava do convento do séc. XVI, mandado construir por D, Manuel e que o devastador terramoto de 1755 arrasara.
A coroar aquela imponente serra… só ruínas! Da capela, na zona do altar-mor, salvou-se , apenas, um belo retábulo de mármore e alabastro de Nicolau Chanterenne.
“Isto não pode continuar assim,” fui pensando com os meus botões, no regresso a Lisboa.
E…se bem o pensei, melhor o fiz!
Dois anos depois comprei o que restava do velho convento, a cerca envolvente, o Castelo dos Mouros e matas circundantes. Decidi ainda ampliar o convento de forma a construir um novo paço, que servisse de residência de verão da família real portuguesa.
A obra foi entregue ao barão Guilherme van Eschwege alemão de nascença, tal como eu, e decorreu rapidamente entre 1847 e 1852. Foi inaugurada em 1849, quando ainda havia obras por acabar.
Enquanto elas duraram , não houve um só dia que eu não fosse ver o andamento dos trabalhos.
Muito do que lá se vê foi concebido por mim, pela minha imaginação criadora! Cruzei todo o tipo de estilos desde o neogótico ao neomourisco, passando pelino, assimilando e integrando influências orientais.. Esta liberdade de recriar é característica dos românticos e eu fui um romântico apaixonado, de corpo e alma.
As interferências por mim assumidas na orientação das obras eram comuns na época. Foi o que se passou com o palácio de Monserrate. (pausa)
Mas…deixem-me voltar um pouco atrás para esclarecer a assiduidade com que visitava a Pena.
Devem lembrar-se que, no período de realização destas obras, percorri todo o território português, como se da minha pátria original se tratasse e, como não tenho o dom da ubiquidade, quando não estava em Lisboa, não podia deslocar-me a Sintra, bem entendido!…
Fiquei a conhecer todo o país, de lés a lés, e o estado de conservação dos vossos/meus monumentos. Lamentavelmente, na grande maioria dos casos, o estado era mau ou muito mau. Esforcei-me por promover obras de conservação e restauro desde os Conventos de Tomar e de Mafra, até aos Jerónimos, à Torre de Belém e à Batalha.
Quando a minha esposa faleceu, em 1853, no parto daquele que seria o nosso 11.º filho, tinha ela 34 anos de idade e 16 (1)) de casamento, pensei em regressar à minha terra.
Tive propostas que alguns teriam considerado irrecusáveis: a coroa da Grécia , primeiro, e a de Espanha, depois.
Mas as raízes que me prendiam a esta terra, o desejo de elevar o seu nível cultural e o amor a Elisa falaram mais alto. Elisa tinha menos vinte anos que eu., mas isso não constituiu problema.”
Elisa Hendler, condessa de Edla foi uma cantora suiça, de influência alemã, que viveu em Portugal e era 17 anos mais nova que o monarca. Tinha uma belíssima voz e interpretava com muito sentimento e expressividade!
“Apaixonei-me por ela e vivemos os nossos momentos de felicidade numa dependência de pequenas dimensões, próxima do palácio, o chamado “Chalé da Condessa” onde ela permaneceu, a residir, após a minha morte e mesmo depois da venda do palácio e das áreas circundantes ao Estado em 1889.
Elisa teve uma vida excepcionalmente longa, a ponto de atravessar três regimes políticos: a Monarquia, a 1.ª República e o “Estado Novo”, tendo falecido em 1929, com 93 anos!!!
Em resumo diria: este palácio que eu, em boa hora mandei construir e que os meus amigos têm o privilégio de hoje visitar é considerado como o primeiro palácio romântico da Europa. O seu lugar vanguardista explica o facto da sua construção preceder em 30 anos a de Neuschwanstein, na Baviera., candidato ao concurso das 7 Maravilhas do Mundo Moderno.
Acabam de me informar que o nosso Palácio, querido palácio da Pena, é hoje uma das sete das Maravilhas de Portugal.
Parabéns a todos os que contribuíram para isso!
Façam o favor de entrar! Estão em vossa casa!
Eu lamento muito mas problemas de agenda obrigam-me a ausentar-me, mas ficam bem entregues ao prof, de História, Jorge Lázaro. Ele conhece a minha vida e a história deste palácio melhor que eu!… (Ri e vai saindo…enquanto cumprimenta o professor e diz: foi num dia 29 de outubro que nasci Pois não querem lá saber que este Senhor esperou 143 amos para nascer nesse mesmo dia e mês? (riem)”.
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