O Senhor Ministro de Educação e Ciência (MEC) já anunciou que o ano lectivo iria começar sem sobressaltos.
É preciso muita vontade para acreditar…
A colocação de professores vai correr bem, pergunto porque não correu bem nos anos lectivos anteriores…
Aqui não se aplica o provérbio “Águas passadas não movem moinhos”, ai movem, movem… Os erros de colocações anteriores interferiram, e muito, na vida dos professores enquanto pessoas e profissionais…não mais se esquecerão destes pesadelos.
Os alunos também foram prejudicados, mas passemos à frente…
Continuamos com turmas com número excessivo de alunos, muitos deles com dificuldades de concentração, imaturos, com problemas de comportamento…expostos regularmente a violências várias.
O que fazer para atingir as metas?
Como se explica que se reduziu o abandono na proporção exacta da exigência do MEC?
O que aconteceu para a média das notas ter aumentado?
De uma coisa tenho a certeza, o desempenho dos professores foi fundamental e estes merecem ser reconhecidos pela opinião pública.
A escola sinalizou muitas crianças para as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), esquecendo-se dos técnicos de serviço social, dos psicólogos, dos professores de ensino especial que devem intervir antes da CPCJ.
Agora reparo que disse “esquecendo-se dos…”mas ninguém esquece o que não tem!
Quando a criança vai para a escola, a culpa do insucesso ou do mau comportamento, é do ciclo anterior até que chega ao pré-escolar que só pode sinalizar a família como responsável.
É verdade, a família é a primeira responsável pela educação das crianças…
A família, a família…como se pode julgar uma família quase sem meios de subsistência: alimentação, saúde, educação, conforto físico e emocional.
Pais sem emprego, mães com baixa auto-estima, chuva e humidade em casa, renda, luz e água por pagar…
Pais que já viveram bem e que agora se vêem privados de salário, que têm vergonha de assumir a pobreza, com medo de perder o pouco do nada que têm.
Ouve-se dizer que o país está a melhorar.
A melhorar? Como?
A “melhorar” na subida do desemprego, no aumento do medo, na maior falta de dinheiro, no surgir de cada vez mais desânimo?
Claro que sim, com medo e desânimo as famílias não se revoltam, no desemprego os trabalhadores não fazem greve e não estão a criar novas alternativas de luta.
Como estão a melhorar os mercados!
Os Mercados não têm que ir ao hospital ou à escola, os Mercados são os senhores do mundo.