COMO SE PREPRARA O ANO LECTIVO SEM PROFESSORES? Por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

O ano lectivo começou para a alegria de muitas crianças, para a ansiedade de muitos professores, para o excesso de trabalho das direcções dos mega agrupamentos.

A muitos professores foi negada a rescisão, a muitos foi aceite a rescisão do contrato quando os professores já tinham anulado o pedido de rescisão, devido às condições oferecidas.

Chegaram ao MEC 3606 requerimentos dos quais foram aceites 1771.

O que está a acontecer?

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Turmas com 26 alunos, aos professores que pediram a rescisão de contrato são-lhes atribuídas turmas, os professores da mobilidade interna tiveram que se apresentar na escola do ano passado… e a lista de situações evitáveis ainda vai a meio.

Aí vem mais um ano de legislações para engrossar os dossiês dos professores e da direcção das escolas. Aí vêm as inúmeras reuniões, que começam cedo e acabam tarde. Está legislado que as reuniões se fazem em duas horas e meia. Seria bom que assim fosse…a legislação, e outras questões burocráticas, ocupam muito mais do que estas duas horas e meia, o mais importante fica por abordar, os problemas na sala de aula, as aprendizagens dos alunos, o que fazer com os alunos que precisam de mais atenção quanto há mais vinte e seis à espera de uma explicação do professor.

Cada aluno, cada professor tem a sua capacidade de espera e de resposta.

Como se compreende que os professores do 1º ciclo, que o Ministério considera em excesso, não sejam colocados? O Senhor Ministro muito gosta de dizer que o rácio de professor/ aluno em Portugal é de dez alunos. Que boa oportunidade para fazer mais uma turma, para cada uma que tivesse vinte e muitos alunos.

Em Educação o que interessa são os bons resultados dos alunos, incluindo-se a cidadania, a criatividade, a autonomia conquistada, o desejo de conhecer mais coisas, a educação sexual, a educação vivida olhos nos olhos.

Quem souber como isto é possível planear na Escola que o MEC quer implementar, que o diga e que venha para uma escola viver o seu dia a dia e praticá-lo.

Saberá o MEC a importância que tem para as escolas e para os professores as primeiras duas semanas de Setembro, na preparação do ano lectivo?

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Os professores têm que planear as actividades, devem conhecer o clima da escola, devem conhecer o processo educativo do aluno, que recursos humanos e materiais têm à sua disposição, têm que conhecer os manuais escolares, têm que conhecer as regras do ASE, o Projecto Educativo e o Estatuto do aluno, a comunidade educativa…………………como vê, Senhor Ministro, não se pode desvalorizar estes quinze dias de Setembro, não são 15 dias para os professores estarem ainda fora das escolas

Nenhum professor estudou para agora estar desempregado, para se sentir discriminado pelo MEC quando ainda não pertence ao quadro com vinte anos de serviço, e ainda tem que passar pela angústia do  concurso.

Os professores são precisos, numa sociedade livre e democrática, nas escolas e não nas manifestações porque se sentem desvalorizados perante a população.

Deixem os professores ensinarem!!

Veja-se os exames de admissão…. Os professores não sabem escrever, dão erros ortográficos, diz o gabinete do Senhor Ministro.

O que pretende a tutela com este comportamento que desvaloriza os professores que tudo tem feito para desvalorizar a Escola Pública?

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1 Comment

  1. *Este Ministro vive na cobardia ,com a cobardia e pela cobardia -*

    *Cobarde por temer o POVO -adopta a tática da confusão para cansar os professores já por si desorientados .*

    *Esta classe sempre valorizada ,perdeu o seu estatuto de dignidade -Maria *

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