DIA INTERNACIONAL DA IRRADICAÇÃO DA POBREZA por Luísa Lobão Moniz
clara castilho
Hoje, dia em que escrevo este texto, é dia 17 de Outubro, Dia Internacional de Erradicação da Pobreza, ou seja da Eliminação da Pobreza.
Em português escreve-se erradicação e não irradicacção como tenho visto escrito em muitos lados, será que é “português do Brasil”? Será que se pode escrever das duas maneiras?.. Aqui fica a dúvida…
Como sabemos, em tempos de crise os mais afectados são as crianças pobres.
Um dia, uma criança disse que a crise é nunca mais ter visto os meus pais sorrirem. Outra criança disse que era não ter dinheiro para comprar coisas; outra ainda disse que era os pais voltarem para casa dos avós sem termos sítio para dormir
E fico-me por aqui. Bastante, bastante mais têm as crianças para dizer, com ar triste e envergonhado, para que que os governos saibam o mal que estão a fazer aos” Seres Humanos”
Será que a democracia existe para isto? Não, não foi esta a Democracia que escolhi.
O bom aluno, Passos Coelho, fez passar a mensagem do medo e da conformidade.
O governo apoia-se, cobardemente, nas organizações de solidariedade social, do espírito de inter-ajuda e de solidariedade dos portugueses, com os mais fracos, para tapar o Sol com a peneira
Não fossem essas organizações e algumas iniciativas de Juntas de Freguesia, de anónimos, de gente democrata, muitas mais pessoas estariam em risco de pobreza.
Como se rotula uma pessoa de pobre?
Fazem-se umas contas e chega-se a um mínimo de euros, que alguns decidem, ser o essencial para alguém viver.
Será viver, o que pretendem os mercados? Não se esqueçam que uma população com fome é fraca para o trabalho, por falta de uma alimentação digna de qualquer um.
Eu teria vergonha de mim mesma, se estivesse numa comissão de trabalho, para estipular qual é o mínimo que se deve ter para sobreviver. Quais são os indicadores de pobreza, quais os indicadores que determinam quem não é pobre?
Se calhar só há uma maneira: que dê um passo em frente, uma família sem dificuldades económicas para viver 2 meses com o ordenado mínimo nacional. E que, no final do 2º mês, faça um relato público para contar como foi.
Não, não se trata de castigar ninguém, trata-se de fazer uma observação, em local próprio, trata-se de viver uma realidade da qual ninguém quer ser o responsável.
Eu sei o que é pobreza, mas não vivo dentro dessa realidade, muito menos os senhores do poder…
Os governos ficam contentes porque pensam (pensarão?) que fizeram um trabalho social como nenhum outro, quando dizem 0,tal porcento das famílias saíram do limiar da pobreza! São uns hipócritas, sabem lá eles o que isso significa, não em números, mas em pessoas que têm Nome: o João, a Mariana, o Zé, a Maria……
O responsável* pelos principais estudos sobre a pobreza em Portugal, acredita que, apesar dos primeiros sinais de recuperação económica, a situação da pobreza continuará a agravar-se. Em 3 anos subiu 2%! Quantos são? Quem são? “Falhámos redondamente na utilização das prestações sociais de combate à pobreza, como o abono de família ou o rendimento social de inserção.”* Farinha Rodrigues.