Um dos argumentos mais repisados pela direita portuguesa contra a eventualidade de um governo apoiado pelo BE e pelo PCP é o facto destes dois partidos se pronunciarem contra os tratados europeus e a ligação à NATO. Mas a “nossa” direita (perdoem, mas o facto é que a temos cá em casa, e ainda não conseguimos mandá-la à fava) é apoiada pelas grandes centrais europeias e mundiais, que inclusive variam nas suas previsões sobre o futuro do nosso país, conforme o futuro governo seja de esquerda ou de direita. As estatísticas que supostamente fundamentam essas previsões, como é do conhecimento geral, podem ser “adaptadas” às necessidades do momento. Não tenhamos dúvidas de que, se por acaso entrar em funções um governo de esquerda, as previsões que estão disponíveis no texto que pode acedido pelo primeiro link que apresentamos abaixo se agravarão substancialmente. E lembremos o que disse o actual presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, quando fez a sua primeira visita oficial, após entrar em funções. Foi à Grécia, e a seguir declarou que esperava voltar lá e encontrar em funções os mesmos governantes.
Desde há muitos anos, mesmo séculos, que a governança de Portugal confunde o futuro dos portugueses com o futuro das suas classes dominantes. A entrada naquilo que hoje é a União Europeia parece ter agravado o problema, pondo fim às esperanças (há quem lhes chame sonhos) de melhoria de vida, suscitadas após o 25 de Abril de 1974. Sintoma inquestionável terá sido o recrudescimento da emigração, em resultado da crise financeira, com cujos resultados nos continuamos a debater. A emigração tem sido a resposta tradicional dos portugueses, face ao peso das crises e à incapacidade, ou falta de vontade, das sucessivas lideranças em lhes fazer frente. As pesadas instituições de sempre persistem em bloquear alterações significativas nas estruturas sociais, económicas e políticas. E as alianças feitas pelas nossas elites consolidaram esse bloqueio. Constatamos apenas que ele não ocorre apenas no nosso país.
http://www.cmjornal.xl.pt/mundo/detalhe/declaracoes_sobre_grecia_provocam_reacoes.html


