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CARTA DE LISBOA – Valha-nos São Cavaco e livre-nos da tentação- por Pedro Godinho

lisboa

Os pregoeiros do modelo da democracia representativa – sem mandato imperativo – têm, agora, dificuldade em engolir do seu remédio.

Os herdeiros de Burke sempre afirmaram que, uma vez eleitos, os deputados – representantes do povo – representavam, como muito bem entendiam (embora significando como os seus partidos o entendiam) os eleitores, dos quais a eleição os libertava até à eleição seguinte.

Neste modelo de democracia representativo parlamentar governa quem consegue uma maioria favorável dos deputados – com ou sem submarinos ou queijo limiano. Ser o mais votado, só, não chega, se para a maioria forem precisos outros. Foi este o modelo que escolheram e durante anos incensaram. Agora que o resultado lhes desagrada parece querem ver-se livres do mesmo. Aguentem-se à bronca.

A concorrência de circunstâncias abriu uma oportunidade nova – como as pessoas também as sociedades, a política, são elas e a sua circunstância:

E o mundo da (jurássica) esquerda mexeu.

Surpreendida pela, por uma vez, ousadia vinda da esquerda, a direita, em desespero, aposta nos dois cavalos que lhe sobram: os apelos à dissensão entre o adversário (hurra, descobriram que os deputados deviam votar em consciência e livremente, sem disciplina de voto partidária) e a fé a que, uma última vez, lhes não falte o compadrio do Querido Líder da Grande Loja do Estado Laranja sobre Azul.

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