
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Revisão de Flávio Nunes
(conclusão)
Enfim, alguns em SYRIZA, evocam abertamente a probabilidade de um novo recurso às urnas, a referendo ou ainda a eleições legislativas. Informação ou intoxicação? O que é certo tem a ver com os partidos do memorando, nomeadamente, a Nova Democracia, o PASOK e o partido dito “ Rio”, este último iniciado localmente na Grécia por Bruxelas e por Berlim, como uma quinta coluna da neocolonização europeísta, em que todos os seus representantes têm dificuldade em responder francamente à pergunta que Alexis Tsípras lhes dirigiu na Tribuna do Parlamento grego, na sexta-feira 5 de Junho: “ Estão os senhores, por conseguinte, abertamente favoráveis ou não, a um terceiro memorando e às medidas destrutivas que então serão impostas à economia e a sociedade grega?”
Atenas muda muito frequentemente de rosto; através das suas aporias, através das suas metamorfoses no tempo e no espaço da crise como da sua história. Por vezes, o suposto azar das montras das livrarias diz muito quanto às curiosidades do tempo presente. Assim, lado a lado numa montra, reencontra-se uma biografia do Rei Paul (1901-1964), “um Rei não habitual “, “o Jornal de exílio, seguido do testamento político” de Léon Trotski, e um inquérito histórico sobre as crises económicas na Grécia durante o século passado , sob o título bem evocativo: “Faço-vos presente da minha infância por causa da crise”.
A estátua do nosso poeta Kostís Palamás está sempre “ embalada”, consequência dos vandalismos da última Primavera, enquanto noutros lugares, há um grande concerto a céu aberto organizado por músicos e intérpretes conhecidos do canto polifónico, vindos dos Balcãs e da Itália do Sul, enquanto uma maratona foi organizada sobre a ilha de Syros. A vida contínua!
Tudo está aí, ou quase, ambiente então assegurado. As lojas especializadas, desde há muito tempo dir-se-á , vendem sempre uniformes aos polícias e aos militares do país e do verão grego, e na Praça da Constituição, um frequentador assíduo dos lugares, apresentando-se como um doente que sofre de um tumor ao cérebro, solicita a ajuda dos gregos e dos turistas e isso, já desde há alguns anos; “Deus preserva-o bem, mas não a nós”, disse um transeunte recentemente.
As belas moradias nas ilhas tendo algumas vezes oferecido hospitalidade aos nossos escritores e poetas, entre os quais Seféris e Elýtis, por vezes estão fechadas, ou mesmo, à venda.
A Grécia… bem nas suas caixas de cartão observa a situação, o sol, bem como o seu destino… contudo, não espera mais nada de muito razoável por parte das “instituições”. Quatro meses de SYRIZA acabaram por desmascarar inteiramente a lógica demencial dos ditos “ credores”. Atenas, tempos de tempestade e de doçura.
Reproduzido do sítio greek crisis
Panagiotis Grigoriou, Carnet de notes d’un ethnologue en Grèce, une analyse sociale journalière de la crise grecque. Texto disponível no site greekcrisis, cujo endereço é : http://www.greekcrisis.fr/

