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A Galiza como tarefa – através – Ernesto V. Souza

Mais alá! foi o título de um manifesto famoso na Galiza intelectual e artística dos anos 20. O famoso texto de crítica e pim-pam-pum de Álvaro Cebreiro e Manuel António,  contra tudo o estabelecido, língua, arte, cultura, literatura foi também uma declaração estética linguística e política.

Produto da época, ainda que único na anómala e discreta cultura galega, representa em parte e boa medida a interferência constante e as agitações e tumultos da vida política numa literatura nacional emergente numa situação de minoria.

Há uns dias, a Revista de Literatura Galega ‘Fervenzas Literarias’ escolheu Através editora como a 3ª melhor editora do ano 2015, após Xerais (divisão da multinacional Grupo Anaya em cujo catálogo figura a maior parte do livro escolar) e a histórica Galaxia (depositária da maior listagem de clássicos da literatura galega), e como resultado de um inquérito aberto aos leitores e às leitoras entre dezembro e janeiro.

Também, Ostrácia de Teresa Moure, e seique de Susana Sánchez Arins, foram os  4º e 10º melhores livros de narrativa de 2015.

No género do ensaio, Ernesto Guerra da Cal. Do exílio a galego universal, de Joel R. Gômez, situou-se no terceiro lugar. E em desenho, a capa elaborada por Ricardo Cabanelas para ‘Ostrácia’ foi a quarta melhor do ano.

O sucesso da Através, a pequena editora da AGAL, segue-se ao triunfo de Mário Herrero em 2015 e ao Prémio da AELG, na categoria de melhor ensaio à Galiza sentimental de Miguelez Carballeira.

Através, que nasceu para romper o bloqueio e a jeito de protesto contra um sistema editorial, cultural e académico que sistematicamente tratou de apagar o reintegracionismo e os autores reintegracionistas, na Galiza, vem a confirmar a tendência de expansão e crescimento do projeto reintegracionista; que pouco a pouco vai fazendo evidente e contornando a situação de discriminação e evidenciando a potencialidade da filosofia reintegracionista como saída viável para a recuperação e normalização da língua galega na Galiza.

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