Os mais dos tratadistas e autores coincidem em destacar as deficiências e falta desenvolvimento que arrasta o livro na Espanha desde o século XVII: técnica, impressão, papel, gravuras, componentes gráficos, estética da plana. Todas apresentam um evidente desfase a respeito das imprensas no resto da Europa na altura, que vai definir – apenas questionada com os breves fulgores do século XVIII e até a revolução na arte tipográfica dos anos 20 e 30 do século XX – a história do livro espanhol e a da leitura.
A ausência de leitores completa uma imagem de penúria, apenas paliada pela existência de populares obras literárias em romance (destinadas em origem a consumo local e que muito mais tarde vieram ter sucesso na invenção nacionalista das coleções dos Clássicos castelhanos) e com as notícias e referências às fabulosas bibliotecas pessoais de contados eruditos.
Porém a decadência evidente a finais do XVI, remonta-se quase à origem. E tem as suas causas num mercado que muito cedo se retirou ao local e não ousou competir na fase post-incunábulo, no grande mercado do Livro (Clássicos greco-latinos, tratadistas, livro religioso e científico), limitando-se à curta tradição do joguete literário (poesia castelhana, teatro, romance cavaleiresco) definia uma cultura de impressão muito reduzida, em âmbito de influência e tiragens, pouco competitiva e muito pouco necessitada de investir em inovação.
A Contra-reforma, com a proibição da leitura (e portanto, tradução, edição e impressão) da Bíblia em romance teve umas importantes consequências na seródia fixação ortográfica do castelhano e na frágil consolidação do seu predomínio como língua do estado mas não comum. Ao mesmo tempo, ao coutar o mercado e expansão leitora que já tiveram, por causa do “Libro” os países protestantes, o deslocamento do trabalho e quase monopólio que a Imprensa dos Países Baixos (na altura parte da coroa espanhola) mais o facto de que muitas das melhoras imprensas Italianas estiveram também em mãos espanholas ou entrassem pelos territórios espanhóis da Coroa, faziam difícil que o negócio do livro e a imprensa na Espanha Peninsular tivesse percorrido, melhora e o lógico desenvolvimento.
Com um mercado privado da Bíblia romance e com o do corpus religioso, científico em Latim, controlado pelas proibições, e limitado às importações em condição quase de monopólio desde as imprensas Platinescas (de Amberes) até as diversas ordens religiosas que operava em todos os territórios da Coroa de Castela, incluída a América (mas não Portugal nem Aragão), as imprensas locais foram paulatinamente esmorecendo e configurando uma tradição na que a “remendaria” com heranças, compras e aproveitamento de material tipográfico vário, era mais característica que a inovação técnica, as grandes oficinas tipográficas e os projetos editoriais de fólego.
Condenada a evolução tipográfica, a produção literária converteu-se em autárquica, o mercado do livro científico-técnico fez-se dependente doutros países e línguas, o livro passou a ser um escasso objeto de luxo, e a leitura um mundo limitado às elites.
Não deixa de ser significativa a situação que vive o mundo do livro galego desde começos do século XXI. As estatísticas e as análises da crise no sector não deixam dúvida. Os últimos informes oficiais confirmam que entre 2008 e 2015 caiu um 44 por cento o número de livros publicados em Galego.
O informe do Observatório do Libro do Consello da cultura galega é concluinte nas suas análises:

