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EDITORIAL – a razão de ser

logo editorialPortugal é a razão de ser do compromisso solene que acabo de assumir. Assim começou o novo Presidente da República o seu discurso de tomada de posse. Aqui há dias atrás, citando Lenine e a sua consabida frase «a verdade é sempre revolucionária», dizíamos que o rigor do axioma depende daquilo que se entende por verdade e por revolução. Se emissor e receptor não estão de acordo quanto ao significado dos dois conceitos, o rigor da frase deixa de existir.

Marcelo é indubitavelmente mais hábil, mais culto e mais inteligente do que Cavaco Silva. Mas é também mais demagogo. Demagogia significava, em grego, a arte de cativar o povo para as nossas ideias». Note-se que dizer aquilo que as pessoas querem ouvir, não é necessariamente um crime – nos panfletos que anunciavam os oradores nos comícios republicanos, se dizia, por exemplo, ´«intervirá o grande demagogo António José de Almeida». A desonestidade está em prometer sem a menor intenção de cumprir.

E agora lá voltamos nós ao rigor das definições – mas agora já não se trata de uma questão filológica, mas sim de demografia económica – em que Portugal está Marcelo a pensar? Naquele em que 80% das pessoas são pobres, vivem em colmeias, servidas por estruturas deficientes ou vivem mesmo abaixo do limiar da pobreza? Ou no outro Portugal, o dos ricos e da classe média alta? O «jongleur» Marcelo dirá – «em ambos». Resposta errada, demagogia no sentido pejorativo. Provou-o 25 de Abril.

Só se pode estar num dos lados da barricada,

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