A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Mário Soares é aquilo a que durante os últimos anos da Monarquia e ao longo da Primeira República se chamava um «grande demagogo». Era um elogio. A palavra entrou no nosso léxico, vinda do francês, que a criou a partir do grego – condutor de multidões. Depois o termo ganhou má reputação e passou a significar mistificador de multidões. O pecado da demagogia é dos mais censurados pelos clérigos da política. Mas Mário Soares é um demagogo sem ser no sentido pejorativo e também sem ser no sentido elogioso. Ou seja, é um animal político com uma intuição invulgar para dizer no momento oportuno aquilo que, quem o escuta, quer ouvir dizer.