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CONTOS & CRÓNICAS – O ESPÍRITO SANTO – por CARLOS REIS

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O querido Alberto João Jardim, os queridos primos Ricciardi e Ricardo (Espírito, este e ainda por cima santo e até salgado) aparecem de vez em quando nas ribaltas e nas notícias – como hoje, por exemplo, o Ricciardi. Ou ontem, por exemplo, o Alberto, o Jardim – outro desexemplo político dos vários de que somos servidos. E servis.

Desatam a vociferar e a vituperar – uns que é de uma vendetta que se trata, outros que processarão a indecorosa revista que tais coisas denuncia e por aí fora – e o noticiário morre, por aqui. Fim de episódio, ou mesmo de folhetim, já que o povo tem outras coisas em carteira (campeonato de futebol, viagem a Fátima, grande noite do fado) como sempre teve e sempre terá – com ou sem vinte e cincos de abris – e depois os media têm mais com que se preocupar, elucidar, salientar, ele há um amanhã ele existe um depois de amanhã.

E as coisas morrem. E as coisas compõem-se, até. Bastaria constatar e ver com já decorreram milénios sobre o Banco Espírito Santo, depois de grande agitação multimedia, inquéritos e declarações e como tudo serenou, como tudo foi ou vai sendo discretamente esquecido e arquivado, até ao supremo milagre das prescrições – que para lá das penas suspensas é um dos grandes, enormes emblemas da nossa justiça e resolução destas coisas tão portuguesas, tão terra-a-terra, tão heróis do mar.

Tende calma, meu povo. O Marcelo vais discursar, o Marcelo vai explicar, o Marcelo vai concluir – tudo isso numa extensão mais abalizada e mais fina agora, esta em que o seu programa televisivo que os portugueses bebiam (um senhor tão simpático, tão elucidante, tão inteligente e tão tudo) se elevou ao presidencialato – rarefeito, circunstancial e inútil como todos os invernos dos nossos sucessivos e portugueses descontentamentos.

Carlos

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