EDITORIAL – ELES NÃO QUEREM QUE A GENTE PAGUE A DÍVIDA
joaompmachado
Aqueles que lêem com mais atenção as notícias da economia, mais cedo ou mais tarde, encalham num dilema inultrapassável: precisamos de gastar menos para pagar a dívida, mas à medida que os gastos diminuem a economia vai-se contraindo, o produto diminui, e, para espanto de muita gente, a dívida aumenta. Massacram-nos a toda a hora com a obrigação do pagamento da dívida, mas os remédios que os credores nos impõem, fazem-na crescer (deve ser por isso que lhes chamam agiotas). Entretanto, para espanto ainda maior, aparecem de vez em quando uns fulanos, com certeza bem intencionados, e que pensam que descobriram a pólvora, a dizer que a dívida é impagável, com longas e complexas explicações. Ao fim e ao cabo, qualquer cabeça com dois dedos de testa, e que tenha tempo para ler (ou ver) as notícias percebe em pouco tempo que mesmo que deixemos de comer, nos matemos a trabalhar, e continuássemos depois de mortos, com este sistema só conseguimos é que a dívida ainda cresça mais. O sistema está montado para isto.
Nada provoca mais a irresponsabilidade do que a imposição de situações irreversíveis e sem solução. Perguntam: mas então as alminhas que impõem este pandemónio o que pretendem? Mas é claríssimo: não querem que levantemos cabeça. À mínima tentativa, levamos pela grossa. Chefes de governo só mesmo os tais (não podemos dizer aqui os nomes que eles merecem, que apesar de tudo neste blogue há respeito). E não foi o Juncker (o tal da comissão europeia, com um currículo à maneira) que disse que a democracia não podia pôr em causa os tratados? Ele queria dizer a alta finança, evidentemente.
Os países endividados vêem os seus melhores emigrarem (fugirem) e entram em colapso (chamam-lhe a bancarrota). A população empobrece e perde a capacidade de identificar os seus problemas. Os credores sabem bem disto. Querem viver eternamente à custa dos juros do que nos emprestarem, e que não querem que a gente pague. E mantendo-se assim, em permanente aflição, impedem-nos de nos levantar e fazermos-lhes frente.