EDITORIAL – ELES NÃO QUEREM QUE A GENTE PAGUE A  DÍVIDA

logo editorial

Aqueles que lêem com mais atenção as notícias da economia, mais cedo ou mais tarde, encalham num dilema inultrapassável: precisamos de gastar menos para pagar a dívida, mas à medida que os gastos diminuem a economia vai-se contraindo, o produto diminui, e, para espanto de muita gente, a dívida aumenta. Massacram-nos a toda a hora com a obrigação do pagamento da dívida, mas os remédios que os credores nos impõem, fazem-na crescer (deve ser por isso que lhes chamam agiotas). Entretanto, para espanto ainda maior, aparecem de vez em quando uns fulanos, com certeza bem intencionados, e que pensam que descobriram a pólvora, a dizer que a dívida é impagável, com longas e complexas explicações. Ao fim e ao cabo, qualquer cabeça com dois dedos de testa, e que tenha tempo para ler (ou ver) as notícias percebe em pouco tempo que  mesmo que deixemos de comer, nos matemos a trabalhar, e continuássemos depois de mortos, com este sistema só conseguimos é que a dívida ainda cresça mais. O sistema está montado para isto.

Nada provoca mais a irresponsabilidade do que a imposição de situações irreversíveis e sem solução. Perguntam: mas então as alminhas que impõem este pandemónio o que pretendem? Mas é claríssimo: não querem que levantemos cabeça. À mínima tentativa, levamos pela grossa. Chefes de governo só mesmo os tais (não podemos dizer aqui os nomes que eles merecem, que apesar de tudo neste blogue há respeito). E não foi o Juncker (o tal da comissão europeia, com um currículo à maneira) que disse que a democracia não podia pôr em causa os tratados? Ele queria dizer a alta finança, evidentemente.

Os países endividados vêem os seus melhores emigrarem (fugirem) e entram em colapso (chamam-lhe a bancarrota). A população empobrece e perde a capacidade de identificar os seus problemas. Os credores sabem bem disto. Querem viver eternamente à custa dos juros do que nos emprestarem, e que não querem que a gente pague. E mantendo-se assim, em permanente aflição, impedem-nos de nos levantar e fazermos-lhes frente.

1 Comment

  1. Mas é que é isso mesmo. Já sabemos que a divida não é para pagar. É para nos amarfanhar. Mas precisávamos de caminhar todos na mesma direcção para reverter esta m. Acho que já há alguém que vai dando mostras de que quer fazer isso. Bater com a porta. Bater o pé. Parece-me. Estou confiante. Confio.

Leave a Reply