Uns senhores que estão à frente de umas chamadas autoridades europeias, a comissão europeia e o ecofin (conselho económico e financeiro), informaram-nos que só se vão debruçar sobre o problema das sanções a Portugal e a Espanha em Julho. Ter-lhes-á alguém perguntado se este compasso de espera terá alguma coisa a ver com o referendo britânico no próximo dia 23, ou com as eleições no reino vizinho, dia 26? Seria bom que nos dissessem se a pergunta ocorreu e, no caso afirmativo, qual foi a resposta. No caso negativo, se terá sido por esquecimento. Desde já, respeitosamente, informamos que não acreditamos nesta segunda hipótese.
Vivemos dias sobressaltados. O problema não é de agora, e não começou com certeza com a gerigonça. Apesar dos esforços de alguns dos principais responsáveis por este estado de coisas em nos fazer crer o contrário, a situação vem muito de trás. Claro que a história vai demorar a ser feita e, mesmo na melhor das hipóteses, haverá sempre dúvidas. As “autoridades europeias” têm graves responsabilidades na situação em que os países que integram a zona euro se encontram, nomeadamente os países mais pequenos e menos desenvolvidos. Estas autoridades, e os elementos que as integram, são os principais responsáveis pelo actual estado de coisas. Com a cooperação entusiástica de alguns dos governos nacionais, é verdade. Mas nem o europeísta mais fervoroso pode esquecer a saída do senhor presidente da comissão europeia, quando interrogado sobre a não imposição de sanções à França, que tem “violado” repetidas vezes as regras dos tratados europeus: “Parce que c’est la France…”. E esse mesmo europeísta não deixará de perguntar, ao menos a si próprio, se os senhores acima referidos não estão a tentar pressionar os eleitores.
Temos esperança de que o horror que representa o assassinato de Jo Cox, a vontade que há em atemorizar os que pensam de maneira diferente, não vão conseguir intimidar os que querem mudar o rumo que têm querido impor, não só aqui em Portugal, na Europa e no resto do mundo.