EDITORIAL –  A ESPADA DE DAMOCLES

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A Comissão Europeia parece pouco disposta a, para já, tomar decisões sobre a aplicação de sanções a Portugal e ao reino espanhol.  Tem a noção de que tendo ocorrido até à data numerosas infracções aos tratados europeus que nunca foram alvo de qualquer sanção, começar por países em situação económica é um disparate em todos os sentidos. Contudo, há uma ameaça que paira sobre as cabeças dos comissários, e das outras entidades europeias, começando pelo ECOFIN, organismo formado pelos ministros das finanças de todos os países membros e presidido pelo holandês Jeroen Dijsselbloem, ao que parece muito ligado a Wolfgang Schäuble. Este organismo irá então brevemente decidir sobre a situação, ou então adiá-la para depois das férias, ao que nos dão a entender as notícias.

Quase que apostávamos que vão adiar pelo menos por algum tempo. Primeiro, parece que vão estar em análise também sanções sobre o reino aqui ao lado, onde Mariano Rajoy anda, muito calmamente, em conversações para formar governo. Os chefes europeus, que maioritariamente têm afinidades políticas com o PP, não devem querer criar-lhe dificuldades. Segundo, quanto a Portugal, tem subido de tom a campanha com o tema de que as sanções não se destinam verdadeiramente a punir o défice excessivo de 2015, mas sim as alterações de política que estarão a ocorrer em 2016. A ilegalidade que fere a hipotética verificação da segunda hipótese parece não assustar os seus defensores, cujas afirmações têm enchido cabeçalhos e telejornais. O orçamento para 2017 parece ser o alvo principal da campanha.  A altura escolhida será quando aquecerem as discussões preparatórias. Então Rajoy já terá formado governo e o Brexit mais digerido.

Claro que podemos estar enganados. Mas não levarão a mal que se analise esta hipótese, que implica que vamos ter um Verão agitado. Não somos catastrofistas, e como tal desejamos que não haja sanções. Mas os chefes europeus não parecem para aí virados. Para eles a hipótese de um governo apoiado pela esquerda conseguir sobreviver e mostrar que há alternativas à austeridade é uma ameaça.

https://www.publico.pt/politica/noticia/bruxelas-adia-decisao-sobre-sancoes-a-portugal-1737347?page=2

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