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NADA O JUSTIFICA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

A palavra terrorismo entrou de novo no nosso vocabulário devido ao atentado terrorista em Nice, na passada quinta-feira.

O que significa afinal a palavra terrorismo?

Qualquer acto que tenha como objectivo gerar o medo, o terror, o pânico nas populações de um ou mais país com a finalidade de forçar o poder a tomar decisões, a favor das suas reivindicações.

O acto terrorista é uma estratégia política e não militar.  Os grupos terroristas não são suficientemente fortes para desencadearem uma guerra aberta. Actuam em qualquer altura, em época de paz ou de guerra.

 Normalmente são pequenos grupos que se conectam entre si, das mais diversas formas, para causar o pânico, um só homem ou mulher pode causar um acto terrorista. Há quem não se importe de morrer.

Não há consenso na definição do termo terrorista.

À medida que as épocas vão mudando as suas organizações de poder, assim o terrorismo actua conforme as circunstâncias.

Os actos terroristas passaram a ter um maior alcance e poder, através de conexões globais sofisticadas, uso de tecnologia bélica de alto poder destrutivo, redes de comunicação (internet) etc.

 Se no século XX os terroristas sequestravam embaixadores, ou personalidades com poder político, o século XXI é marcado pelo terrorismo público.

Quem não se lembra dos grupos terroristas dos anos 60 e 70? Por exemplo a ETA, grupo separatista Basco, em Espanha. Era o chamado  terrorismo nacionalista.

A ETA foi fundada por grupos que desejavam formar um novo Estado-nação dentro de um Estado já existente. O IRA na Irlanda, o Baader Meinhof na Alemanha nos anos 70  ( nasceu por causa de uma brutal carga policial contra o movimento estudantil), o Kebab Murders, grupo de extrema Direita, também na Alemanha, nos anos 90. As “Brigadas Vermelhas” na Itália, na década de 1960. Foi o grupo mais actuante nos anos 70, marcado pelo sequestro e assassinato do primeiro-ministro italiano, Aldo Moro.

Este terrorismo estava focado em determinadas pessoas ou instituições que simbolizavam Estados repressivos ou não democráticos

Mas o Estado também pode cometer actos terroristas quando actua contra a população do seu país e contra a população estrangeira (xenofobismo), são Estados totalitários como  a ditadura militar Brasileira e a ditadura de Pinochet no Chile.

Os grupos terroristas, por mais pequenos que sejam, necessitam de apoios avultados para puderem pôr em prática um atentado. Quem os ajuda não só monetária como logisticamente?

Hoje em dia qualquer acto terrorista é a personagem principal nas imagens da televisão de todo o mundo.

É de salutar toda essa informação, mas a exposição repetida até à saturação dessas imagens, dos comentários de especialistas  ajuda a justificar a legalidade e a necessidade de acções antiterroristas que, muitas vezes, levam a violações dos Direitos Humanos.

Será limitando a liberdade dos países afectados por actos terroristas que se combate ou evita mais actos terroristas? Não sei. Será recusar a integração dos estrangeiros que vai fazer com que acabe o terrorismo? Não sei.

É necessário e urgente que a sociedade compreenda as ideologias que movem as práticas terroristas e os discursos construídos sobre essas práticas.

A cada ano que passa, a Humanidade sente-se mais frágil e receosa, apesar das grandes manifestações para demonstrar aos terrorista de que a vida continua sem medo.

Entrámos no século XXI com o aparatoso, destruidor e assassino ataque às Torres Gémeas, nos Estados Unidos. Ficamos em estado de choque.

Em estado de choque permaneceram pois desde então não mais parou o terrorismo sangrento…

Até quando?

O próximo onde será?

 

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