POR VEZES O CAOS por Luísa Lobão Moniz

Não sei se os meus olhos mudaram, mas a vontade de ir à descoberta de novos mundos ensina-nos que o novo mundo está onde nós estamos, basta que reflictamos sobre ”o que vemos, ouvimos e lemos” e perceberemos que sem sabermos o que é a Humanidade, para o Bem e para o Mal, não saberemos nunca alcançar a VIDA na sua plenitude. Todos os dias temos razões para não conseguirmos andar em frente sem tropeçar no visível e no invisível que a vida comporta.

Somos a Humanidade, mas muitas vezes pensamos que são os outros que têm a obrigação de dar os exemplos conforme uma ética que nos faça, “a todos”, viver felizes. Onde está essa ética? O que diz?

Mas quem são “o todos”? Os poderosos ou os sem poder? Uns e outros, como? se o poder se exerce pela força da discriminação e da exploração.’

A Natureza dá tudo o que tem para se equilibrar, e às vezes, o equilíbrio faz-se a partir do caos para criar uma nova Natureza, de acordo com as novas regras impostas pela Humanidade. Rios que são desviados dos seus percursos normais, cimento onde havia de haver mar, plásticos e material tóxico onde deveria haver ambientes limpos de poluição.

 Para este caos ninguém está preparado!  Não é por acaso que as gerações mais jovens estão a ser o porta-bandeira de uma importante causa a que grande parte da Humanidade não dá prioridade no seu dia-a-dia.

A Humanidade tem-se envolvido em guerras onde já morreram milhões de seres humanos, onde já foram humilhadas crianças, mulheres e homens pelas suas fragilidades… Há mulheres que são apedrejadas, há crianças que são escravas!…

A Humanidade é boa ou é, também, má?

Mas o que é uma Humanidade boa ou má?

Eu gostava de acreditar que a Humanidade cresce sempre no sentido do reconhecimento do outro, igual ou diferente, no reconhecimento e respeito pela Natureza e das suas forças.

Mas há Homens e Mulheres que consideram que somos donos do Mundo e por isso, “para nosso próprio bem”, vales e montanhas, gelos, rios, mares, lagos para criar mais fábricas, mais extracções de minérios, mais coisas inúteis ao bem-estar social. Ficamos mais infelizes ou felizes quando sabemos a fome que impera pelo mundo, a exploração do homem pelo homem que faz corar de vergonha quem quer deixar um Planeta Azul onde viver seja mais fácil?

Como explicar que a Humanidade tenha posto bombas, tenha provocado suicídios, tenha contribuído para a discriminação entre os seus iguais (só há diferenças incompatíveis quando existe poder).

 Poder de quê? Por cada discriminador há uma partícula da Natureza que implode sem darmos por isso, porque os nossos olhos quando separados do coração não vêem o essencial.

 E nesta perfeita simbiose entre Humanidade e Natureza ambas vão perdendo Vida e caminhando para a destruição.

Terror de te amar

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

                                                      “Terror de te amar”  in “Obra Poética”

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