…E AINDA CHARLIE HEBDO por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Muitas pessoas morreram, através dos séculos, pela Liberdade de expressão do pensamento. Em cinco minutos dois terroristas destruíram e mataram os cartunistas, o guarda do director do jornal, ameaçaram uma jornalista para marcar o código do prédio para poderem entrar, com o propósito de matar, mataram ainda um polícia na rua e disparam para um carro da polícia que fazia a ronda normal.

Ao mesmo tempo mais um terrorista entrava num supermercado judaico e matou quatro mortos e fez muitos reféns.

Todos estes terroristas mataram em nome de uma religião.

Em que Tempo viverão estas pessoas que acreditam que quando morrem têm 70 virgens à sua espera?

Quando os soldados portugueses foram combater em África também diziam que podiam matar os pretos porque eles não tinham alma. O Poder sabe bem quem recrutar para pôr no terreno os seus agentes mais frágeis, sabe bem esconder-se atrás das balas, das bombas, das mutilações…

Durante três dias vivemos como se o mundo fosse apenas “nosso”, como se fossemos os únicos a ver os Direitos Humanos serem agredidos. Quem assinou a carta dos Direitos Humanos? quantos os respeitam? será que os terroristas conhecem os Direitos Humanos? terão outros?

A globalização faz com que as pessoas possam viajar por todos os países, mas não faz com que essas pessoas se conheçam.

Ao mesmo tempo, noutras partes do mundo no dia 7 de Janeiro de 2015,  mulheres eram violadas, assassinadas, discriminadas; crianças eram maltratadas, abusadas, eram crianças soldado, eram traficadas, morreram de fome e de maus tratos, não foram à escola, por causa das guerras nos seus países, milhares de meninas foram proibidas de frequentar a escola; homens eram torturados, chicoteados, decapitados, morreram por causa da pena de morte.

Mulheres, crianças e homens são vítimas de várias violências, de vários racismos, de várias exclusões.

Os meios de comunicação social deram toda a atenção ao caso Charlie Hebdo que já tinha sido alvo dos terroristas e estava sob ameaça porque este jornal representava, de facto, a liberdade de expressão do pensamento.

A Liberdade foi conquistada, também,  para que as pessoas possam exprimir as suas ideias, não para matar quem é livre.

A Liberdade não existe se não pudermos falar.

A Liberdade não existe quando se mata alguém em nome de uma religião, seja ela qual for.

Ainda bem que deram a conhecer ao mundo um acto terrorista que pôs, pelo menos os países europeus a repensar a sua organização e as causas do terrorismo.

E o resto do mundo que tanto sofre…..quando terá um dia inteiro de notícias sobre a violência e a falta de respeito pelos Direitos Humanos? Quando é que o bem estar das pessoas é mais importante do que matar?

Acabou o Cherlie Hebdo? Não.

Acabaram os terroristas? Não.

Acabou a esperança e o desejo de viver em Paz com os Outros? Não.

Acabou a alegria de viver? Não.

Acabou a tranquilidade nas ruas de Paris? Sim.

 

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