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REQUIEM PARA UMA UNIÃO EUROPEIA JÁ MORIBUNDA. – REFLEXÕES EM TORNO DO BREXIT, DA UE E DA GLOBALIZAÇÃO – 22. UMA EUROPA FORTE NUM MUNDO DE INCERTEZAS, por JEAN-MARC AYRAULT e FRANK-WALTER STEINMEIER – II

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E depois do Brexit caiu o pano e ninguém estava em cena, David Cameron, Boris Johnson, Nick Farage, Jeremy Corbyn tinham desaparecido – Uma série de textos tendo como pano de fundo a União Europeia e a sua classe política

Selecção e tradução de Júlio Mota

Uma Europa forte num mundo de incertezas

 

 

 

Jean-Marc Ayrault, Frank-Walter Steinmeier, ministros dos negócios estrangeiros da França e da Alemanha, respectivamente

A Strong Europe in a world of uncertainties

Voltairenet.org, 27 de Junho de 2016

(continuação) 

Um Pacto para a Segurança Europeia

A UE tem que enfrentar um ambiente de deterioração da segurança e um nível de ameaças sem precedentes. As crises externas tornaram-se mais numerosas, mais próximas da Europa – a Leste e a Sul das suas fronteiras – e mais provavelmente terão consequências imediatas para o território europeu e para a segurança dos cidadãos da UE. A política do poder está de volta ao nível internacional e o conflito está a ser importado para o nosso continente. A ameaça do terrorismo está a crescer, alimentando-se de redes complexas dentro e fora de Europa e vindas das zonas de crise e de regiões instáveis, destruídas pela guerra por todo o lado. O papel de Europa como uma força digna de crédito para a paz é hoje mais importante do que nunca.

A segurança dos  Estados-membros da UE está profundamente interligada, porque estas ameaças afetam agora o continente no seu conjunto: qualquer ameaça a um Estado-membro é igualmente uma ameaça aos outros. Nós consideramos consequentemente a nossa segurança como una e indivisível. Nós consideramos a União Europeia e a ordem de segurança europeia  como fazendo parte dos nossos interesses nucleares e protegê-los-emos em todas as circunstâncias.

Neste contexto, a França e Alemanha reafirmam a sua visão partilhada de Europa como uma união da segurança, com base na solidariedade e no auxílio mútuo entre Estados-membros,  a favor da segurança comum e da política de defesa. Garantir segurança para a Europa assim como contribuir para a paz e a estabilidade globais está no centro do projeto europeu.

Nós vemos a UE como um poder chave relativamente aos seus países vizinhos mas igualmente como um ator para a paz e para a estabilidade ao nível global. Um ator capaz de dar uma contribuição decisiva para enfrentar  os desafios globais e de apoiar uma ordem internacional baseada em regras sustentada pela estabilidade estratégica, com base num equilíbrio pacífico de interesses. Alcançámos já inúmeras realizações que merecem o reconhecimento e podem também fornecerem-nos inspiração. O acordo histórico sobre o programa nuclear do Irão foi somente possível devido ao empenhamento determinado e persistente da UE. O envolvimento europeu no processo de Minsk ajudou a conter uma confrontação militar na zona oriental da Ucrânia que poderia facilmente ter saído fora do controle. Os nossos esforços diplomáticos abriram a via para uma regulação política do conflito, esforços estes que se devem continuar a desenvolver, que nós continuaremos a levar a cabo. Na Líbia, apoiamos o governo que emergiu do acordo nacional para enfrentar os riscos levantados pela fragilidade deste Estado e pela instabilidade no Mediterrâneo do Sul. Para além das crises, estamos convencidos que a África precisa igualmente de um empenhamento contínuo da nossa parte, sendo um continente de grandes desafios e oportunidades.

Uma das principais características do ambiente de segurança de hoje é a interdependência entre a segurança interna e externa, dado que os riscos mais perigosos e desestabilizadores emanam da interação entre ameaças externas e fraquezas internas. Para responder a este desafio, a Alemanha e a França propõem um Pacto de Segurança Europeia que abranja todos os aspetos da segurança e da defesa tratados ao nível europeu e satisfaça assim a promessa da UE de reforçar a segurança dos seus cidadãos.

Uma primeira etapa é partilhar uma análise comum do nosso ambiente estratégico e da compreensão comum dos nossos interesses. A França e a Alemanha propõem que a UE faça revisões regulares do seu ambiente estratégico, para serem submetidas e discutidas no Conselho dos Negócios Estrangeiros e no Conselho Europeu. Estas revisões apoiar-se-ão numa capacidade independente da avaliação da situação, com base nos serviços de informação da UE e também na experiência de instituições europeias externas, com produção de análises estratégicas e de análise de informações aprovadas ao nível europeu.

Para dirigir este esforço, a França e a Alemanha propõem que o Conselho Europeu reuna uma vez por ano como um Conselho Europeu de Segurança, a fim de abordar as questões da segurança interna e externa e de defesa que a UE atualmente enfrenta. Este Conselho Europeu de Segurança deve ser preparado por uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, da Defesa e do Interior.

(continua)

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Ver o original em:

http://www.voltairenet.org/article192564.html

ou em:

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Para ler a Parte I deste texto de Jean-Marc Ayrault e Franz-Walter Steinmeier, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, clique em:

REQUIEM PARA UMA UNIÃO EUROPEIA JÁ MORIBUNDA. – REFLEXÕES EM TORNO DO BREXIT, DA UE E DA GLOBALIZAÇÃO – 22. UMA EUROPA FORTE NUM MUNDO DE INCERTEZAS, por JEAN-MARC AYRAULT e FRANK-WALTER STEINMEIER – I

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