REVISTA NOVA SÍNTESE – NOVO NÚMERO PUBLICADO – LANÇAMENTO do Nº 9 – A APRESENTAÇÃO de ANTÓNIO GOMES MARQUES
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Revista Nova Síntese – novo número publicado
A Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, proprietária da Revista Nova Síntese, acaba de lançar no mercado o seu n.º 9, cujo tema central ali tratado é «Imprensa Regional e Neo-Realismo», com a minha coordenação. A Apresentação que para este número escrevi, dou-a agora a conhecer aos leitores do blogue, aproveitando a oportunidade para também reproduzir o respectivo índice.
AGM, Portela (de Sacavém), 2016-09-07
APRESENTAÇÃO
É bem conhecida, na génese do Movimento Neo-Realista, a importância da imprensa periódica, como bem demonstram os trabalhos pioneiros de António Pedro Pita e de Luís Augusto Costa Dias, nomeadamente no catálogo que ambos conceberam para a exposição que, sobre o tema, se realizou em Vila Franca-de-Xira, em Novembro de 1996, não tendo ainda o Museu do Neo-Realismo as actuais instalações.
Para além desta monografia, que poderá ser consultada na Biblioteca daquele Museu, António Pedro Pita foi publicando vários textos sobre a problemática neo-realista, que reuniu em livro, com o título Conflito e Unidade no Neo-Realismo Português, publicado pela editora Campo das Letras, em Novembro de 2002. Dedicando o III capítulo à imprensa no aparelho cultural neo-realista, o autor, para além das considerações gerais, fala da imprensa coimbrã de tendência neo-realista e insere notas sobre a nova fase, a partir de 1940, do quinzenário de acção literária e regional A Mocidade, cujo director, editor e proprietário foi Garibaldino de Andrade, que aqui invocamos por razões que, um pouco mais à frente, explicitaremos.
Também Luís Augusto da Costa Dias não limitou as suas investigações àquela monografia; para além de estudos dispersos por várias publicações, apresentou em 2011, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a sua tese de doutoramento em História, especialidade de História da Cultura, sob a orientação dos Prof. Doutores Luís Manuel dos Reis Torgal e António Pedro Pita, com o título “O «Vértice» de uma Renovação Cultural – Imprensa periódica na formação do Neo-Realismo (1930-1945)”, tratando não só do tema que referimos no início desta apresentação, mas, fundamentalmente, visando «inquirir se o Neo-Realismo português constituiu uma corrente estética, portador de uma visão estética própria e alternativa aos modelos seus contemporâneos, a partir do território histórico em que os seus protagonistas se confrontaram em (e com) determinadas circunstâncias da vida cultural e política.» (in pág. 5 da tese), constituindo, julgamos, uma das mais profundas investigações sobre a problemática neo-realista.
Na década de 60 do século passado, uma camada de jovens autores segue as pisadas dos iniciadores do Movimento Neo-Realista, desenvolvendo uma acção, dentro da mesma filosofia, ou seja, na «luta a favor dos outros», feliz expressão de Ferreira de Castro numa entrevista ao Notícias da Amadora, lembrada por Orlando César no texto inserto neste número da Nova Síntese. Mas esta luta ganha outros espaços geográficos, sendo de destacar o papel de Garibaldino de Andrade, professor do ensino primário, que, depois da gloriosa aventura vivida com o quinzenário A Mocidade, acima referido, vê-se obrigado a procurar ganhar a vida em Angola, onde, com os jornalistas Leonel Cosme, Carlos Sanches e Maurício Soares, funda as Publicações Imbondeiro, na cidade de Sá da Bandeira, em Janeiro de 1960, como nos recorda o próprio Leonel Cosme, entretanto regressado à Metrópole, nas páginas deste número da revista.
Outros textos, uns de autoria de alguns dos protagonistas desta nova aventura, mostram claramente que muito há para investigar, não só sobre a génese do movimento neo-realista, apesar dos notáveis trabalhos já publicados, como os acima citados e também muitos outros, lembrando, só a título de exemplo, os de Mário Dionísio —que considero o maior teórico do Movimento Neo-Realista e um dos seus grandes autores, de quem se comemora este ano o centenário do seu nascimento—, assim como os de Alexandre Pinheiro Torres e Carlos Reis.
A juntar àqueles, temos de relevar também os estudos vários que a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo vem publicando, incluindo natural e obrigatoriamente os insertos nos vários números da sua revista Nova Síntese, como também sobre os seus continuadores, que este número da Nova Síntese, que o leitor e o investigador têm agora à sua disposição, demonstra claramente, com a certeza de que se trata apenas de um trabalho preliminar que terá de ter continuidade.
António Gomes Marques
ÍNDICE
1. Imprensa Regional e Neo-Realismo
Apresentação
António Gomes Marques 9
Publicações d’ A Imprensa Periódica na Génese do Movimento Neo-Realista (1933-1945)
Direcção de Nova Síntese 11
Novas Incursões Neo-Realistas por V. N. de Famalicão
Amadeu Gonçalves 15
“A Planície”: pluralidade e “Convívio” num jornal do Alentejo
Alberto Franco 55
António Vicente Campinas e o Foz do Guadiana
Maria João Raminhos Duarte 59
Um Mensageiro que anuncia “uma boa nova”
António Mota Redol 67
Imbondeiro e o Neo-Realismo em Angola
Leonel Cosme 111
«Publicações Imbondeiro» e sua Importância na Literatura Portuguesa dos Anos 60, do Século XX
António Augusto Sales 131
O neo-realismo nos suplementos culturais da imprensa regional. Os casos de Companha e Independência Literária
Carlos Braga 137
O Suplemento do Jornal Badaladas
António Augusto Sales 193
Dois Projectos de Dinamização Cultural: «Labareda» e «Nova Realidade»
Manuel G. Simões 201
Notícias da Amadora: Intervir pela palavra na «luta a favor dos outros»
Orlando César 211
De relance: os anos ’60 e os Encontros da Imprensa Cultural
Arsénio Mota 235
Noite e Nevoeiro – Reflexão e notas sobre os “Encontros dos Suplementos e Páginas Culturais da Imprensa Regional”
Carlos Loures 251
Edição na província: livros marxistas e antifascistas antes do 25 de Abril (fora de Lisboa e do Porto)
Flamarion Maués 273
Editoras que publicaram textos do Neo-Realismo, sediadas em localidades que não sejam Lisboa e Porto
António Mota Redol 309
2. No centenário do nascimento de Joaquim Namorado (2014)
Memória de Joaquim Namorado
Rui Namorado 321
Dois Poetas de Navegação e Futuro – Joaquim Namorado e Fernando Pessoa
Maria Fernanda Campos 331
3. Actividades da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo
Relatório de Actividades da Associação Promotora do Museu