EDITORIAL – EM 1867, FOI PUBLICADO O PRIMEIRO VOLUME DE “O CAPITAL”
joaompmachado
Foi em 13 de Setembro de 1867 que foi publicado na Alemanha o primeiro volume de O Capital. Karl Marx (1818 – 1883) vivia em Londres desde 1849, após ter sido forçado a deixar a França e a Alemanha. No prefácio dessa primeira edição informa-nos que este livro é a continuação de Uma Contribuição à Crítica da Economia Política, obra publicada em 1859. A interrupção no trabalho deveu-se a problemas de saúde. Este volume foi incluído pela UNESCO no seu programa A Memória do Mundo.
Louis Althusser, na sua introdução (avertissement) à edição francesa de 1969 , da Garnier – Flammarion, do primeiro volume de O Capital chama a atenção que Marx, no seu trabalho, não faz uma teoria da empresa, ou da unidade de produção, mas procura sim evidenciar aspectos globais, procurando demonstrar que se a exploração (extracção da mais valia) se faz nas empresas capitalistas onde trabalham os operários, esta exploração local não poderia existir sem um sistema generalizado, que se estende pelas cidades e pelos campos, pelo conjunto dos países capitalistas, e a partir daí pelo resto do mundo.
O primeiro volume de O Capital foi o único publicado durante a vida de Marx. Fala-nos das mercadorias, da circulação do dinheiro, e de como este se transforma em capital. Friedrich Engels assegurou a publicação em 1884 e 1885 dos dois restantes volumes, a partir dos apontamentos deixados por Marx. Para falar muito sucintamente tratam das metamorfoses do capital, do valor e da mais-valia, do lucro e da renda.
A obra de Marx, de que O Capital é a expressão máxima, foi continuada por Lenine, Rosa Luxemburgo, Antonio Gramsci e muitos outros. Há quem a considere ultrapassada, outros inacabada. Têm sido mais numerosos ainda os que pretendem suprimi-la. Fundamentalmente, pode-se dizer que há um reconhecimento generalizado da sua importância. Não será inoportuno, entretanto, recordar a estes últimos a última frase do prefácio, já acima citado, do primeiro volume, que Marx, fervoroso leitor de Dante, arremedando o seu clássico favorito, dedica aos que o atacam usando os preconceitos generalizados na opinião pública:
Segui il tuo corso, e lascia dir le genti!
Para lerem um pouco sobre esta faceta da Marx, que também tem a sua importância, propomos que cliquem no link abaixo e procurem um artigo de Giovanni Sgro, Karl Marx lettore della Commedìa dantesca.