Reflexos de uma trajetória intelectual conjunta ao longo de décadas – uma homenagem ao Joaquim Feio
Capítulo 1 – Dos Clássicos a Sraffa, de Sraffa aos neo-ricardianos
Seleção e tradução de Júlio Marques Mota
20 min de leitura
Parte A: Texto 15 – Marx no bicentenário do seu nascimento: Novos desenvolvimentos sobre o pensamento e os textos de Karl Marx
Por
Gilbert Faccarello e
Heinz D. Kurz
Publicado por The European Journal of the History of Economic Thought, vol. 25, 2018, No 5,
(ver aqui)
A recorrência de debates sobre a obra de um autor, as vivas controvérsias que suscita entre opositores e seguidores e o redireccionamento das suas interpretações à medida que o tempo passa são um sinal do seu fascínio e complexidade permanentes. Estes debates não seguem uma trajetória regular, mas têm os seus próprios altos e baixos, mudam de tema e de ênfase, são realizados em círculos académicos ou nos meios de comunicação social e estão frequentemente ligados a algum acontecimento socioeconómico ou político. Mas os períodos de fermentação mais intensos, em termos de realizações intelectuais e de acréscimos ao nosso conhecimento, estão muitas vezes intimamente ligados à publicação de novas edições mais completas das obras em questão, que permitem leituras e perspetivas novas e mais precisas. Foi o caso, evidentemente, de David Ricardo e da edição por Sraffa das suas Obras e Correspondência (1951-1973), de Adam Smith e da edição de 1976 dos seus escritos publicada por ocasião do bicentenário da Riqueza das Nações, ou de John Maynard Keynes e da publicação dos seus Escritos Recolhidos de 1971 a 1989 [1].
1. Um regresso aos textos de Marx
A obra de Karl Marx não é uma exceção à regra, tanto mais que Marx escreveu muito durante a sua vida, tendo apenas algumas partes sido publicadas de vez em quando durante mais de um século após a sua morte em 1883. No que respeita à economia política, por exemplo, alguns manuscritos foram publicados muito rapidamente: os volumes II e III de O Capital contêm uma seleção de manuscritos feitos por Friedrich Engels e publicados respetivamente em 1885 e 1894; e os três volumes de Theorien über den Mehrwert (Teorias da Mais-Valia) contêm outra seleção editada e publicada por Karl Kautsky em 1905-10, apresentada como Volume IV de O Capital. Mas algumas outras obras importantes tiveram de esperar muito mais tempo: os chamados Grundrisse der Kritik der politischen Ökonomie (Elementos fundamentais para a Crítica da Economia Política), de 1857-58, foram publicados pela primeira vez numa edição pouco difundida em 1939-41, depois numa edição mais acessível em 1953, e só duas décadas mais tarde foram traduzidos para diferentes línguas; o fragmento de um rascunho (“Urtext”) do Zur Kritik der politischen Ökonomie (Uma Contribuição para a Crítica da Economia Política) de 1859 teve de esperar até 1939-41 para sair, juntamente com os Grundrisse; e algum material importante para o Volume I de O Capital só esteve disponível, numa pequena parte, a partir de 1933 – é o caso, por exemplo, do chamado “Capítulo 6 inédito”.
No que respeita à filosofia, as coisas são ainda mais impressionantes [2]. Durante muito tempo, apenas a introdução de Marx à crítica da Filosofia do Direito de Hegel, “Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie. Einleitung“, e o seu artigo sobre a “questão judaica”, “Zur Judenfrage” (ambos publicados em 1844 no Deutsch- Französische Jahrbücher), eram conhecidos. As partes da tese de doutoramento de Marx de 1841 que chegaram até nós – Differenz der Demokritischen und pikureischen Naturphilosophie (A diferença entre a filosofia da natureza democrata e epicurista) – só foram publicadas em 1902; o ensaio Zur Kritik der Hegelschen Rechtsphilosophie (Crítica da filosofia do direito de Hegel), de 1843, em 1927; e os célebres Ökonomisch-philosophische Manuskripte von 1844 (Manuscritos económicos e filosóficos de 1844) e Die deutsche Ideologie (A ideologia alemã), de 1845, em 1932.
Estes factos devem ser recordados quando se tenta compreender a história dos debates sobre o pensamento de Marx, bem como o estado atual dos estudos sobre Marx. Sem entrar em pormenores, há cinco pontos principais que merecem ser sublinhados.
(1) Em primeiro lugar, está claro que a disponibilidade, ou a falta dela, de manuscritos, alguns dos quais de importância fundamental, teve um impacto nas várias interpretações de Marx. Durante várias décadas após a morte de Marx, numerosos escritos que são agora considerados essenciais para uma compreensão correta dos seus pontos de vista não estavam simplesmente disponíveis para o público em geral, e muitas vezes nem sequer se sabia que tais escritos existiam. No entanto, as primeiras interpretações, por vezes muito incompletas e ad hoc, adotadas e frequentemente promovidas por organizações políticas, dominaram os debates durante muito tempo. Isto é verdade, por exemplo, no que diz respeito à compreensão geral do conteúdo e do “método” do Capital, especialmente na teoria do valor e do preço, na queda da taxa de lucro ou na abordagem das crises económicas. É também o caso dos aspetos filosóficos do marxismo. Os escritos de Engels, por vezes tingidos de darwinismo, criaram um vocabulário e uma ortodoxia, e foram muito influentes – quer sobre Ludwig Feuerbach e os Jovens Hegelianos, quer sobre os pretensos socialismos “utópico” e “científico”, o “materialismo histórico” (expressão cunhada por Engels) ou a dialética (isto é, a “dialética materialista” ou a “dialética da natureza”, baseada numa interpretação simplista da filosofia de Hegel). É fundamentalmente a linha de pensamento de Engels, enunciada sobretudo na década de 1880, após a morte de Marx, e não a de Marx, que foi desenvolvida pelos marxistas em vários países, por exemplo em obras que popularizam a “conceção materialista da história”, ou num livro de Kautsky sobre “as três fontes do marxismo ” [3] (filosofia alemã, socialismo francês e economia política inglesa) [4], que envolvia uma interpretação de Marx incompleta e questionável. Os pontos de vista de Engels também foram influentes na Rússia, com o desenvolvimento do alegado “materialismo dialético”, especialmente por Georgi Plekhanov e Lenine. Em toda esta história, foram raros os intelectuais independentes como Rudolf Hilferding, Isaak Illich Rubin, György Löwinger (pseudónimo de Lukács) ou Karl Korsch. Ao longo de décadas, o uso e abuso de algumas palavras, como “dialética”, por autores cujo conhecimento de Hegel era aparentemente fraco ou inexistente, desviou as discussões para becos sem saída. Mesmo alguns vocábulos muito usuais, como a palavra alemã “Praxis”, usada por Marx (e por Kant) para significar a prática habitual de uma atividade, foram mal interpretados e, na melhor das hipóteses, confundidos com a distinção aristotélica entre “praxis” e “poiesis”, obscurecendo assim os desenvolvimentos intelectuais de Marx. É evidente que tudo isto constituiu um sério obstáculo a uma melhor compreensão dos textos e do pensamento de Marx.
(2) Em segundo lugar, este estado caótico geral das coisas mostrou a necessidade de uma edição completa das obras de Marx. Foram feitas três tentativas nesse sentido.
Em 1927, uma edição sistemática e completa começou a ser publicada pelo Instituto Marx-Engels de Moscovo, sob a direção de David Borisovich Goldendakh (também conhecido como David Rjazanov). Contudo, em 1931, Estaline ordenou a detenção de Rjazanov (Rjazanov foi executado em 1938) e Vladimir Viktorovich Adoratsky substituiu-o no projeto. O resultado foi o primeiro MEGA – ou seja, Karl Marx. Friedrich Engels. Historisch-kritische Gesamtausgabe. Werke. Schriften. Briefe (MEGA é a abreviatura de Marx-Engels Gesamtausgabe). Este projeto foi interrompido em 1935, após a publicação de 12 volumes [5].
Após a Segunda Guerra Mundial, quase todos os trabalhos tiveram de começar de novo. Foi lançado um novo projeto de publicação: as Obras de Marx-Engels (MEW). De 1956 a 1990, os Institutos para o Marxismo-Leninismo em Moscovo e em Berlim Leste publicaram conjuntamente 44 volumes [6]. Embora contenha alguns dos escritos e correspondência mais importantes – mas ainda privados de muitos manuscritos significativos – a edição está longe de estar completa e carece dos traços característicos de uma edição crítica.
Daí, finalmente, uma terceira tentativa de uma edição crítica completa. O Marx-Engels Gesamtausgabe [Edição completa de Marx-Engels], ou seja, a segunda MEGA ou MEGA2, foi lançada pelos mesmos institutos em 1970, mas foi interrompida em consequência da desagregação da República Democrática Alemã e da União Soviética. Em 1990, o Internationale Marx Engels Stiftung (IMES) decidiu retomar o projeto num contexto académico. No entanto, o número dos 164 volumes inicialmente planeados foi reduzido para 114. Trata-se de um trabalho ainda em curso, mas uma grande parte do projeto já foi realizada: a terceira tentativa é de esperar que seja bem sucedida.
(3) Em terceiro lugar, é também evidente que o pensamento de Marx é muito mais complexo e abrangente do que os vários vulgares marxistas pretendiam que fosse com o passar do tempo., o que levanta questões importantes: Qual é a ligação entre todos estes escritos? Existe uma continuidade, uma rutura, ou uma relação mais complexa, entre as ideias filosóficas de juventude de Marx, desenvolvidas na década de 1840, e o seu trabalho mais maduro sobre economia política e política – uma questão que inclui uma avaliação da sua relação com a filosofia de Hegel e os escritos dos jovens hegelianos? Qual é o significado da sua intenção constante de escrever uma “crítica da economia política”? É possível identificar, sem margem para dúvidas, a evolução intelectual de Marx e os elementos do seu pensamento que se tornaram permanentes e estáveis? Todas estas questões foram, entre outras, discutidas a partir dos anos sessenta, juntamente com a republicação dos Grundrisse, a publicação progressiva dos volumes MEW [Obras de Marx-Engels] e MEGA2 [Segunda Edição completa de Marx-Engels], e as várias traduções de partes deles para inglês, francês e italiano nomeadamente [7].
Neste contexto, os conceitos e abordagens mais importantes de Marx foram questionados e estudados de novo, como por exemplo as definições e o papel da “alienação” e “fetichismo” nos escritos de juventude de Marx e em O Capital, o significado de “trabalho abstrato” na teoria do valor e as suas ligações com a análise da “forma-valor” e do dinheiro, a descrição precisa e o papel de alguns dispositivos dialéticos hegelianos utilizados por Marx na sua economia política, o significado da sua noção de “crítica”, etc. Para este trabalho geral de reinterpretação – que pôs de lado grande parte dos discursos convencionais do passado – desempenharam um papel importante algumas reavaliações críticas de temas centrais (dialética, trabalho abstrato, valor e dinheiro, dedução de conceitos em O Capital): ver, em particular, Lucio Colletti (1969, 1975) em Itália, Hans-Georg Backhaus (1967) e Helmut Reichelt (1970) na Alemanha, e a redescoberta da obra de Rubin no início da década de 1970. Muitos desenvolvimentos inovadores foram inspirados por estas análises.
Uma outra caraterística da investigação destas últimas décadas é um forte ressurgimento dos estudos sobre o jovem Marx e os seus anos de formação. Warren Breckman (1999) e David Leopold (2007) lançam nova luz sobre as suas relações com os Jovens Hegelianos, complementando assim alguns estudos clássicos como McLellan (1969) e Rosen (1977); ver também os estudos editados por Emmanuel Renault (2008), que se debruçam sobre os Manuscritos de 1844 e insistem, em particular, no papel crucial de Moses Hess no desenvolvimento do pensamento de Marx. Por seu lado, Rojahn (1983) mostrou como os Manuscritos de 1844, tradicionalmente apresentados como um livro coerente, consistem, de facto, numa simples justaposição de vários textos escritos em diferentes momentos da evolução intelectual de Marx e não têm, portanto, o estatuto filosófico que lhes foi atribuído no passado. Foram também examinadas outras obras mais ou menos da juventude, como os Grundrisse (ver, por exemplo, as contribuições de Musto 2008), e foram publicadas reavaliações do desenvolvimento filosófico global de Marx e da sua importância para a sua abordagem (ver, por exemplo, Renault 2009, 2014; e Fischbach 2015).
(4) É claro que muitos dos novos textos do MEGA2 foram disponibilizados em contextos específicos, que tiveram um impacto na sua receção e nas controvérsias que se seguiram após a Segunda Guerra Mundial. No que respeita à economia política, um acontecimento importante foi a publicação de Production of Commodities by Means of Commodities (1960), de Piero Sraffa, que rapidamente se tornou um ponto focal na discussão da abordagem de Marx à teoria do valor e da distribuição. A “lei da baixa tendencial da taxa de lucro” de Marx foi também analisada com a ajuda da teoria de Sraffa e considerada insuficiente. No decurso das múltiplas controvérsias que a obra de Sraffa suscitou, foram feitas muitas tentativas divergentes para recuperar ou reafirmar certas partes da análise de Marx. São disso exemplo os desenvolvimentos já referidos sobre o trabalho abstrato, o valor e o dinheiro, bem como as novas leituras do conceito de alienação, que substitui, na opinião de alguns autores, o de exploração, considerado demasiado ligado a uma teoria do valor do trabalho mal fundamentada. Outras abordagens foram avançadas, quer em favor de um entendimento mais tradicional do raciocínio de Marx baseado no valor trabalho, pelo menos a um nível agregado (ver, por exemplo, Foley 1982, 2000), quer de uma forma radicalmente divergente. Um exemplo célebre deste último caso é o chamado “marxismo analítico”, lançado por Gerald Cohen (1978), John Roemer (1981, 1982, 1986) e Jon Elster (1985), que tentam reformular certas ideias de Marx no âmbito de uma perspetiva marginalista ou neo-clássica utilizando a teoria das escolhas racionais e da teoria dos jogos. Numa perspetiva ainda diferente, alguns desenvolvimentos foram inspirados pela “teoria crítica” da Escola de Frankfurt (ver, por exemplo, Postone 1993, e a abordagem da “crítica do valor” de Larsen et al. 2014).
(5) Por último, foram feitas algumas adições úteis aos estudos de Marx em perspetivas sintéticas ou historiográficas. Algumas sínteses coletivas de Marx e do marxismo, em geral, ou da economia marxiana em particular, foram publicadas (Carver 1991, Bidet e Kouvelakis 2008, ou Fine, Saad-Filho e Boffo 2012), juntamente com guias de leitura de O Capital (inter alia Heinrich 2004 e Harvey 2010-13). Depois, há a tentativa muito ambiciosa, e necessariamente apenas parcial, de Jan Hoff (2009) de rever os debates sobre Marx em todo o mundo desde meados da década de 1960. Por último, mas não menos importante, as biografias clássicas de Marx, por vezes politicamente matizadas, de Franz Mehring (1918), Boris Nikolaevskij e Otto Mänchen-Helfen (1937), ou David McLellan (1973), foram complementadas por vários novos relatos mais académicos da vida e obra de Marx, de Jonathan Sperber (2013), Gareth Stedman Jones (2016) e o primeiro de um projeto de três volumes de Michael Heinrich (2018).
2. Alguns novos desenvolvimentos
Os artigos incluídos neste número especial abordam, em primeiro lugar, os anos de formação de Marx. A parte principal debruça-se depois sobre alguns desenvolvimentos na economia política de Marx – entre os quais os que tratam do novo MEGA são agrupados sob um título específico. Uma nova investigação sobre a receção imediata da obra de Marx no Reino Unido e em França conclui a edição.
2.1. Os anos de formação
Como já foi referido, os estudos recentes sobre Marx caracterizam-se por uma renovação significativa da investigação sobre os anos de formação de Marx e os seus (por vezes rápidos) desenvolvimentos filosóficos, todos eles temas que se revelam atualmente importantes para a compreensão do Marx “maduro”. Os três capítulos incluídos nesta parte exemplificam este facto.
O primeiro capítulo, da autoria de Herbert De Vriese, trata das controvérsias entre Marx e os Jovens Hegelianos no início da década de 1840. Centrando-se num romance, até agora negligenciado, publicado em 1843 por um antigo amigo íntimo de Marx, Edgar Bauer, mostra como o jovem Marx era negativamente retratado pelos seus antigos amigos e revela o elemento de verdade neste retrato, mas também a razão teórica subjacente às atitudes dos protagonistas: uma conceção diferente do papel da crítica.
Zacharias Zoubir examina depois o conceito de alienação nos Grundrisse de 1857-58, um conceito que não se limita aos escritos mais jovens de Marx mas reaparece estrategicamente na sua obra madura. Zoubir mostra que isto reflete uma evolução do pensamento de Marx durante este período, em que a terminologia da alienação adquire um conteúdo filosófico e económico diferente do dos seus trabalhos anteriores – os Manuscritos de 1844, por exemplo – e conduz a uma conceção diferente de uma sociedade emancipada.
O capítulo seguinte, de David Andrews, centra-se no conceito relacionado de fetichismo. Bastante negligenciado no decurso da história das interpretações de O Capital, a importância e a centralidade do “fetichismo da mercadoria” para a compreensão da principal obra de Marx foi, no entanto, sublinhada no passado por autores como Rubin ou Colletti (que o relacionaram diretamente com o conceito de alienação). Andrews reexamina a qualidade “misteriosa” ou “oculta” atribuída aos produtos do trabalho e mostra como, em termos do uso que Marx faz de “natural” no sentido aristotélico, ela impregna todo o funcionamento “absurdo” de uma economia capitalista.
2.2. Em torno do Novo MEGA
Os oito artigos desta parte tratam de vários temas suscitados pela edição MEGA2 e pelo novo material que esta edição contém, que não estava disponível publicamente no passado e que irá certamente alterar alguns dos pontos de vista recebidos sobre Marx. Também esclarece o trabalho de Friedrich Engels como editor dos volumes II e III de O Capital.
O primeiro capítulo é da autoria de Regina Roth, que está envolvida no projeto MEGA como editora e investigadora e informa sobre o estado do trabalho editorial e também sobre o novo conceito de MEGAdigital. Este último coloca os manuscritos de Marx e a versão publicada de O Capital no contexto da escrita global de Marx e, em seguida, relaciona-os com a correspondência entre Marx e Engels e com excertos e notas dos cadernos de notas de Marx. Examinando os manuscritos e os estudos de Marx sobre a renda, a reprodução e a taxa de lucro, o artigo esclarece a forma como Marx trabalhou e porque não conseguiu realizar o seu enorme projeto económico.
O segundo capítulo, de Heinz D. Kurz, pergunta se e em que sentido a edição MEGA2 será um divisor de águas na interpretação de Marx. A edição é considerada um divisor de águas, porque documenta que Marx aparentemente tem dúvidas quanto à correção da sua “lei de movimento” da sociedade moderna, centrada na baixa tendencial da taxa de lucro. Não será um divisor de águas, uma vez que Marx se manteve inabalável na sua “lei do valor”, que, no entanto, é difícil de sustentar.
No seu capítulo, Izumi Omura, que faz parte da equipa japonesa MEGA2 sobre a economia, volta a colocar a questão de saber quem foi o autor do capítulo sobre Feuerbach na Ideologia Alemã, Marx ou Engels.? Omura elabora um argumento que tem todas as características de um relato forense e baseado em provas. Omura defende que a afirmação de Rjazanov de que o capítulo foi escrito apenas por Engels e não ditado por Marx é difícil de sustentar. Omura também rejeita a opinião de Mayer de que os dois são co-autores da obra por falta de provas: segundo ele, o capítulo sobre Feuerbach foi efetivamente ditado por Marx a Engels.
Nicolas Eyguesier, no quarto capítulo, reexamina o conceito de “acumulação primitiva” no contexto da explicação de Marx sobre o nascimento do “capitalismo”. Compara o conceito de desenvolvimento de Marx com o de Sismondi e argumenta que, enquanto este último era essencialmente “romântico” e cíclico, o primeiro baseava-se na ideia de progresso e assumia um objetivo escatológico da história da humanidade. Embora Marx tenha tomado conhecimento da doutrina de Sismondi, rejeitou a sua mensagem central.
Os dois capítulos seguintes são dedicados a uma avaliação do extenso trabalho de Marx sobre modelos multi-sectoriais de reprodução alargada. No seu capítulo, Christian Gehrke mostra que o crescimento equilibrado, que desempenha um papel proeminente na edição de Engels do segundo volume de O Capital, não se encontra nos manuscritos originais de Marx. O leitor é antes confrontado com a investigação de Marx sobre o problema da transição entre sistemas de produção, que ele analisou através de um modelo complexo com seis sectores. Marx salientou também a “elasticidade” da produção industrial, que se deve à possibilidade de variar a intensidade do trabalho e a taxa de utilização da capacidade produtiva.
No capítulo seguinte, Kenji Mori, que faz parte da equipa japonesa MEGA2 também aborda o modelo de seis sectores da reprodução alargada de Marx e o problema da travessia. A sua atenção centra-se na tentativa de Marx de compreender a dinâmica dos preços num mundo caracterizado pela difusão de novos métodos de produção. Mostra-se que Marx estava bem ciente de alguns problemas fundamentais da análise dinâmica, que só foram abordados um século mais tarde por economistas como Adolph Lowe.
O capítulo seguinte é também da autoria de Kenji Mori. É dedicado à investigação empírica de Marx nos seus cadernos de notas, conhecidos como Krisenhefte (Livros da Crise), que tratam da crise de 1857, provavelmente a primeira crise económica da história que afetou a economia mundial. Os estudos de Marx deram continuidade ao trabalho de Thomas Tooke e William Newmarch em A History of Prices, publicado no mesmo ano. O seu trabalho meticuloso foi recentemente publicado pela primeira vez na edição MEGA (Parte IV, Vol. 14).
No seu capítulo, Susumu Takenaga, que faz parte da equipa japonesa MEGA2 sobre economia, lança uma nova luz sobre as várias tentativas de Marx para resolver o problema da renda e chama a atenção para notas e manuscritos não contidos no volume III de O Capital, editado por Engels a partir de um manuscrito que Marx escreveu em 1865. O autor mostra o quanto Marx se debateu com a teoria da renda de Ricardo, o conceito de “renda absoluta” por ele elaborado e a sua absorção do trabalho pioneiro de Justus von Liebig sobre agro-química.
2.3. Desenvolvimentos analíticos
Esta parte é composta por um total de seis artigos, que desenvolvem analiticamente alguns dos problemas abordados por Marx nas suas obras. No primeiro capítulo, Saverio Maria Fratini investiga se o conceito de “renda absoluta” de Marx reflete a existência de um monopólio na agricultura. Marx tinha defendido que este tipo de renda tem um limite máximo dado pela diferença entre o valor (do trabalho) e o preço de produção dos produtos agrícolas. Os críticos contestaram a existência de tal limite superior. O autor argumenta que, embora a crítica seja correta, continua a fazer sentido distinguir a renda absoluta da renda que reflete um monopólio.
O segundo capítulo é da autoria de Carlo Benetti, Alain Béraud, Edith Klimovsky e Antoine Rebeyrol e analisa as ilustrações numéricas do modelo de dois sectores da reprodução ampliada no volume II de O Capital. A atenção centra-se no problema de saber se a economia converge ou não para uma trajetória de crescimento equilibrado e qual o papel desempenhado neste contexto pela forma como os preços são determinados. Enquanto Marx assumia que os preços eram dados em termos de valores do trabalho, os autores introduzem um modelo de preços endógeno que permite um ajustamento dos preços em função do estado do processo de acumulação.
Rebeca Gomez Betancourt e Matari Pierre Manigat no capítulo seguinte analisam a influência de James Steuart no pensamento económico monetário de Marx. Steuart criticou a teoria quantitativa da moeda e apresentou argumentos em defesa da quebra da ligação entre a quantidade de moeda e os preços, que Marx retomou e desenvolveu em várias direções. A tónica é colocada, nomeadamente, entre outros aspetos, nas funções que a moeda desempenha e na diferença entre os adiantamentos de capital e o gasto do rendimento.
O capítulo de Wilfried Parys analisa criticamente o ponto de vista de Marx sobre o “terceiro comum” na troca de duas mercadorias quaisquer. Marx identificou o “trabalho abstrato” como a substância procurada. A sua ideia foi rapidamente contestada, não só por autores marginalistas que insistiam que o “valor de uso em geral” era o tertium comparationis [a terceira parte da comparação], mas também por vários académicos que salientavam que as mercadorias que entram direta ou indiretamente na produção de todas as mercadorias podiam servir esse objetivo. A energia é uma delas.
No seu capítulo, Rodolphe dos Santos Ferreira e Ragip Ege analisam mais de perto o conceito de contrato de trabalho de Marx, que deveria fundamentar a exploração, e confrontam-no com o conceito neoclássico. Enquanto este último se refere a um serviço específico, o primeiro refere-se à força de trabalho que o trabalhador vende ao empregador. O empregador tem o direito de utilizar a força de trabalho da melhor forma possível, cobrindo o seu custo de reprodução com o salário. A externalização de parte deste custo, através do sistema de segurança social ou de uma maior flexibilidade do contrato de trabalho, permite ao empregador aumentar a exploração.
O último capítulo desta parte é da autoria de Michaël Assous e Antonin Pottier, que comparam as análises de Marx e de Michal Kalecki sobre a (in)estabilidade macroeconómica do capitalismo e o papel da luta de classes entre trabalhadores e capitalistas.
2.4. A recepção das obras de Marx
A receção das obras de Marx em diferentes países foi durante muito tempo negligenciada, em primeiro lugar porque, tal como para outros autores, este campo de estudo não era verdadeiramente atual ou em voga, mas também, mais provavelmente, devido ao papel desempenhado, até há pouco tempo, pelos discursos oficiais das organizações políticas. Ausentes estes dois obstáculos, os dois capítulos incluídos nesta parte oferecem análises de dois momentos importantes da receção de Marx no Reino Unido e em França antes da Primeira Guerra Mundial.
Michael White centra-se num autor, Philip Henry Wicksteed, e trata dos seus desenvolvimentos naquilo a que se chamou a crítica sobre os trabalhos de Jevons feita por Marx: de como Wicksteed foi levado a criticar Marx enquanto defendia os pontos de vista de Henry George, e porque é que isso foi feito de uma forma questionável, com base numa leitura errada da análise de Jevons.
Michel Bellet, por sua vez, estuda um grande grupo de autores que escreveram em La Revue socialiste, a principal revista socialista francesa antes da Primeira Guerra Mundial. Mostra que os escritos de Marx, embora considerados importantes, foram recebidos de forma crítica num contexto intelectual profundamente moldado pelas ideias dos principais escritores socialistas franceses do século XIX (Constantin Pecqueur em particular), e como o papel de Benoît Malon foi central nesta receção.
Todos estes estudos trazem novos materiais e novos resultados. Sem dúvida, graças à edição MEGA2, fazem parte de um novo ponto de partida nos estudos sobre Marx.
Agradecimentos
A presente edição da revista Europeia de História da Economia oferece uma selecção de artigos apresentados na conferência “Marx 1818/2018. NewDevelopments on Marx’s Thought and Writings”, Lyon, França, 27–29 de setembro de 2017. Esta conferência foi organizada com a ajuda financeira da revista Europeia de História do Pensamento Económico, do centro de investigação (UMR CNRS 5206), da École Normale Supérieure de Lyon, do Labex COMOD, da Universidade de Lyon 2 e da ANR “Saint-Simonisme 18-21”.
Financiamento
O apoio financeiro da publicação por LABEX COMOD (ANR-11-LABX-0041) da Universidade de Lyon — no âmbito do programa “Investissements d’Avenir” (ANR-11-IDEX-0007) gerido pela Agence Nationale de la Recherche (ANR) — é reconhecido com gratidão.
Notas
[1] Este é também o caso, mas em menor medida, no que diz respeito à publicação, de 1987 a 2005, de Oeuvres economiques completas de Auguste e Leon Walras, bem como à edição em curso das Oeuvres completas de Jean-Baptiste Say.
[2] Os escritos mais abertamente políticos de Marx eram muito mais conhecidos e circulavam, durante e depois da sua vida, como panfletos e artigos de jornal.
[3] A frase foi cunhada por Kautsky em 1908 e foi retomada por Vladimir Ilyich Ulyanov, também conhecido como Lenin, em 1913.
[4] Por vezes, afirma-se que uma fonte de inspiração para este ponto de vista pode ser encontrada num livro celebrado anonimamente publicado por Moses Hess em 1841, Die Europa intramuscle Triarchie, onde um papel fundamental na história contemporânea é atribuído à Alemanha, à França e, acima de tudo, ao Reino Unido. Mas o discurso de Hess era diferente.
[5] O volume I foi publicado em duas partes.
[6] Esta edição está baseada na segunda edição russa publicada de 1954 em diante.
[7] Foram feitas tentativas para avaliar a importância do Mega2 para os estudos de Marx e a interpretação do Capital (ver, por exemplo, os artigos em Bellofiore e Fineschi 2009; Roth 2010; ou Heinrich2016).
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Os autores:
Gilbert Faccarello [1950-] é um economista francês, professor de Economia na Universidade Panthéon-Arras de Paris. É membro do centro de investigação Triangle (CNRS) e presentemente presidente do Conselho ESHET (Sociedade Europeia para a história do Pensamento Económico). Concluiu a sua investigação de doutoramento em economia na Universidade Valuetech de Paris X Nanterre. Ensinou na Universidade de Paris-Dauphine, Université du Maine e na École Normale Supérieure de Fontenay/Saint-Cloud (agora École Normale Supérieure de Lyon). É co-fundador do European Journal of the History of Economic Thought, que co-editou durante 20 anos com J. L. Cardoso, Heinz D. Kurz e A. Murphy. Em colaboração com Alain Béraud, editou a Nouvelle histoire de la pensée, volumes, 1992-2000 e, juntamente com Heinz D. Kurz, está actualmente a editar um manual da história da análise económica (3 volumes, com Edward Elgar). O Erasmus Journal for Philosophy and Economics entrevistou Gilbert Faccarello sobre a sua carreira de pesquisa na história do pensamento económico, onde se concentrou especialmente na velha e na nova economia política clássica e marxista e na economia política francesa durante os séculos 18 e 19. G. Faccarello discute o seu interesse não só na estrutura lógica e no contexto das Ideias Económicas dos pensadores do passado, mas também nas ligações entre o pensamento económico, a filosofia e a religião. (ver aqui)
Heinz D. Kurz [1946-] é um economista alemão, professor emérito no Centro Schumpeter da Universidade de Graz, tendo também lecionado em universidades no estrangeiro (v.g Roma, Manchester, Paris, México, Leicester, Nice, Pisa, Tóquio). É doutorado pela universidade de Kiel. Publicou numerosos artigos em jornais, e vários livros, entre os quais se destaca The Theory of Production (em co-autoria com Neri Salvadori). É co-fundador e editor-chefe do European Journal of the History of Economic Thought (Londres: Routledge) desde a sua fundação em 1993 (desde 2005 a revista é abrangida pela SSCI). Editor geral dos trabalhos não publicados e correspondência de Piero Sraffa, uma tarefa realizada em nome da Cambridge University Press e do Trinity College, Cambridge (três vols. com cerca de 2.000 págs). (para mais detalhe ver aqui)

